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Procurador-geral do Rio enviou ofício a Brasília aceitando reforço federal nas investigações, mas destacando que a Polícia Civil seguirá à frente do caso

Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros na noite de 14 de março, no Rio de Janeiro
Fernando Frazão/Agência Brasil - 10.5.18
Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros na noite de 14 de março, no Rio de Janeiro

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu aceitar a  ajuda da Polícia Federal nas investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. O crime ocorreu em março, na região central do Rio, e completa nesta sexta-feira (17) 156 dias sem esclarecimentos.

O procurador-geral de Justiça fluminense, Eduardo Gussem, enviou ofício ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, no qual afirma "considerar de extrema relevância a cooperação de quaisquer estruturas estatais de poder nas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista".

Jungmann havia colocado a PF à disposição das autoridades fluminenses no início desta semana, em nova tentativa de federalizar a investigação . Nessa quinta-feira (16), no entanto, o ministro disse em evento realizado em Salvador (BA) que a Polícia Civil e o MP-RJ haviam recusado a ajuda dos investigadores da PF. "A resposta que eu obtive foi que não era necessário, que eles davam conta", declarou Jungmann, conforme reportou a Agência Brasil .

Agora, o procurador-geral fluminense disse estimar a ajuda, mas destacou que a Polícia Civil ainda será a principal responsável pelo caso. "Qualquer iniciativa para agregar esforços deve ser deflagrada pelo atual comando do setor, o que equivale dizer que o pedido deve ser feito pelo interventor federal, General Braga Netto, a quem, neste momento, está subordinada a Polícia Civil, que segue à frente das investigações", diz o ofício.

Gussem reforça que, caso o interventor e seu gabinete avaliem que a Polícia Federal deve atuar no caso, quer contribuindo com as investigações, quer assumindo-as, basta que seja formulada a devida requisição. Mas alerta que, qualquer que seja a opção, tal medida não deve ser confundida com o deslocamento de competência para a Justiça Federal.

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Investigações sobre a morte de Marielle Franco

Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade
Reprodução/Youtube
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Os trabalhos da Delegacia de Homícidios da Capital (DHC) sobre o caso são conduzidos em sigilo, mas a polícia fluminense confirmou no fim de julho a prisão de dois suspeitos de participação nos assassinatos da vereadora e de seu motorista. Um desses presos é suspeito de ser um dos ocupantes do carro que disparou contra o veículo onde estava Marielle e Anderson. Os dois suspeitos são ex-militares. 

A polícia já sabe que a arma do crime foi uma submetralhadora e que a munição usada pelos criminosos era de um lote que havia sido destinado à Polícia Federal, mas que teria sido roubado na sede dos Correios na Paraíba, no ano passado (conforme versão do governo federal).  Permanecem não respondidas as questões sobre o(s) autor(es) e o(s) mandante(s) dos assassinatos de  Marielle Franco  e Anderson Gomes.

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