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Pelo menos 500 mil litros de leite já tinham sido descartados pelos produtores na tarde dessa quarta-feira (23); por ser um produto altamente perecível, o leite in natura (não pasteurizado) não pode nem ser doado

Produtores da cidade de Passos aderiram aos protestos dos caminhoneiros, segundo presidente de associação
Reprodução/EPTV Sul de Minas
Produtores da cidade de Passos aderiram aos protestos dos caminhoneiros, segundo presidente de associação

A paralisação dos caminhoneiros e a falta de óleo diesel já afeta a produção de leite em Minas Gerais. Produtores da cidade de Passos, no sudoeste do estado, aderiram aos protestos nesta quinta-feira (24), jogando mais de 250 mil litros de leite no acostamento da rodovia MG-050, que teve as duas pistas bloqueadas durante a manifestação. 

Segundo informações da EPTV Sul de Minas , pelo menos 500 mil litros de leite já tinham sido descartados pelos produtores na tarde dessa quarta-feira (23). Por ser um produto altamente perecível, o leite in natura (não pasteurizado) não pode nem ser doado – já que existe uma lei no estado que proíbe o repasse da bebida.

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"Produtores precisam descartar o leite"

De acordo com o jornal da cidade de Passos Folha da Manhã , mais de 150 mil litros são descartados diariamente desde a segunda-feira (21). Ao periódico, Marcelo Maldonado Cassoli, presidente da associação dos produtores de leite Aproleite, explicou que “mesmo com muito ressentimento e dor no coração, os produtores associados precisam descartar o produto", pois não há como realizar o transporte. 

 “Esse alimento nobre será descartado como chorume nas fazendas, enquanto tantas pessoas necessitam dele, pois somos proibidos de doá-lo sem que seja pasteurizado”, lamentou.  

O leite descartado seria enviado para São Paulo, onde passaria por processo de industrialização. O componente não poderia ser aproveitado para a produção de queijos ou derivados, pois falta na cidade o gás industrial necessário para mover as máquinas.

Para além do desperdício diário do produto, o presidente da Aproleite destacou que há risco de esgotar os estoques e não haver mais alimentos suficientes para dar aos animais envolvidos na produção. Para Cassoli, a categoria deve participar dos protestos , e ainda pediu para que federações e sindicatos de produtores rurais se mobilizem.

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“Que providenciem logo uma negociação com os caminhoneiros e evitem um mal maior, e que façam da nossa pátria uma nação mais digna para se trabalhar, produzir e viver”, defendeu.

Além dos produtores de leite , motoristas de van e motociclistas se uniram aos caminhoneiros na greve na cidade mineira, que também sofre de falta de combustível em todos os postos. Também de acordo com reportagem da EPTV , alunos de escolas rurais de Passos ficaram sem transporte para aulas. Outro serviço afetado na cidade é o de coleta de lixo, que teria sido suspensa.

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