Tamanho do texto

Oficial confessou ter criado perfis falsos, passando-se por garotas, com o intuito de atrair os rapazes para a emboscada; cinco jovens foram mortos

Os nomes e as fotos dos cinco jovens apareceram no site da Polícia Civil no registro de pessoas desaparecidas
Divulgação/Polícia Civil
Os nomes e as fotos dos cinco jovens apareceram no site da Polícia Civil no registro de pessoas desaparecidas

Um guarda civil metropolitano teve a prisão preventiva, por 30 dias, decretada pela justiça. Ele é suspeito de envolvimento na morte dos cinco rapazes ficaram desaparecidos após saírem de carro no dia 21 de outubro para encontrar garotas em uma festa em Ribeirão Pires. Os corpos das vítimas foram encontrados no último domingo (6) , em um matagal de Mogi das Cruzes.

De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), o guarda confessou ter criado perfis falsos, passando-se por garotas, com o intuito de atrair os rapazes para a emboscada. A última notícia que os familiares receberam foi uma mensagem de celular vinda de um dos jovens, dizendo ter sido parado em uma blitz policial.

“É importante que as investigações estão avançando e já temos uma primeira resposta à sociedade e às famílias”, declarou Ariel. Segundo o advogado, apesar de ter confessado a criação dos perfis falsos, o acusado negou ter participado nos assassinatos. Outros guardas suspeitos de participação também estão sendo investigados.

A secretaria estadual da Segurança informou que, ainda nesta sexta-feira (11), o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, vai conceder entrevista à imprensa para falar sobre as investigações do caso.

LEIA TAMBÉM:  Parentes de rapazes desaparecidos fazem reconhecimento de corpos

Os nomes e as fotos dos cinco jovens apareceram no site da Polícia Civil no registro de pessoas desaparecidas. São eles: Jonathan Moreira Ferreira, 18 anos; César Augusto Gomes Silva, 20; Caique Henrique Machado Silva, 18; e Robson Fernando Donato de Paula, 17, que é cadeirante. O quinto rapaz, que dirigia o carro, era Jonas Ferreira Januário, 30 anos.

Tortura

O vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, assegurou que os cadáveres apresentavam sinais que indicam que houve tortura. Segundo ele, Robson, o cadeirante, tinha as mãos presas com um lacre de plástico conhecido como enforca gato. Santos acrescenta que o corpo dele estava decapitado e que a cabeça não foi encontrada pelas equipes de busca.

Corpos foram encontrados em estrada na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo; parentes fazem o reconhecimento
Reprodução/Globonews
Corpos foram encontrados em estrada na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo; parentes fazem o reconhecimento

Outros dois jovens que integravam o grupo – Jonathan Moreira Ferreira, 18, e César Augusto Gomes Silva, 20, estão “irreconhecíveis”, segundo Santos. “Os familiares estão indo ao hospital fazer a coleta de saliva e cabelo para fazer o exame de DNA. Amanhã [terça-feira, dia 8], a polícia vai colher mais depoimentos”, afirmou o vice-presidente do Condepe.

Desaparecimento

O grupo desapareceu na noite de 21 de outubro quando saía da zona leste de São Paulo em direção a Ribeirão Pires, no ABC Paulista, onde participariam de uma festa. O carro onde os rapazes estavam foi encontrado dias depois em uma alça de acesso ao Rodoanel.

VEJA AINDA:  Violência policial é considerada excessiva por 70% dos brasileiros

A Corregedoria da Polícia Militar (PM) acompanha as investigações, já que há a suspeita de envolvimento de algum guarda no caso. Antes do desaparecimento, um dos rapazes teria enviado mensagens por celular a parentes relatando que o grupo havia sido parado em uma blitz. Ele relatou ainda a abordagem truculenta por parte da PM.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.