Igualdade: TSE cobra Meta por regras eleitorais e dá prazo de 24h

Tribunal exige comprovação de medidas para assegurar tratamento igualitário a candidatos; descumprimento pode elevar multa diária a R$ 1 milhão

Sede da Meta na Califórnia, EUA
Foto: Jim Wilson/ The New York Times
Sede da Meta na Califórnia, EUA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, comprove o cumprimento de medidas determinadas pela Justiça Eleitoral para garantir a  igualdade na distribuição de conteúdos políticos durante o  segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que alertou para o vencimento dos prazos estabelecidos anteriormente pela Corte. Caso a empresa não demonstre que cumpriu integralmente as determinações, a multa diária poderá passar de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

A disputa envolve as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) , que recorreram à Justiça Eleitoral alegando prejuízos na distribuição de publicações e no impulsionamento de conteúdos políticos nas plataformas da companhia.

Ministro rejeita mudança unilateral de prazo

Na decisão, Bellizze afirmou que a Meta não pode substituir os prazos fixados judicialmente por um cronograma próprio. Segundo o ministro, a empresa teria ampliado de 72 horas para cinco dias o período previsto para cumprir as determinações.

O magistrado ressaltou que a apresentação de um recurso pela companhia não suspende automaticamente os efeitos da decisão anterior. Dessa forma, as medidas continuam válidas e precisam ser cumpridas dentro do prazo determinado pelo tribunal.

A cobrança ocorre em meio à preocupação da Justiça Eleitoral com a atuação das plataformas digitais durante a campanha, especialmente em relação à distribuição de publicações , à publicidade política e à identificação de conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial.

O que o TSE exige da Meta?

Entre as determinações estão medidas para esclarecer como os sistemas da empresa distribuem conteúdos políticos e verificar se as candidaturas recebem tratamento equivalente.

Confira as principais exigências:

  • Explicações sobre os algoritmos: a empresa deve esclarecer como funcionam os sistemas de recomendação que influenciam a distribuição das publicações.
  • Análise de anúncios políticos: a Meta precisa apresentar informações sobre a publicidade relacionada às duas candidaturas que disputam o segundo turno.
  • Investigação de perfis inautênticos: a companhia deve apurar a possível atuação de redes de contas falsas ou que não representam usuários autênticos.
  • Identificação de conteúdos sintéticos: a empresa precisa prestar informações sobre publicações que deveriam receber sinalização por terem sido produzidas ou modificadas artificialmente.
  • Relatórios individualizados: a Meta deve apresentar documentos em português, detalhando as providências adotadas em relação aos anúncios e às restrições no impulsionamento de publicações.

Segundo Bellizze, um dos relatórios apresentados anteriormente não permitia distinguir com clareza quais medidas haviam sido executadas por determinação judicial e quais tinham sido adotadas espontaneamente pela própria empresa. O documento também continha termos em língua estrangeira.

Lula e Flávio alegam prejuízos nas redes

A disputa judicial começou com uma representação da campanha de Lula, que acusou a Meta de restringir seletivamente a distribuição de publicações ligadas ao seu campo político. A coligação também questionou possíveis diferenças no tratamento dado às candidaturas e limitações no impulsionamento de anúncios.

Posteriormente, Flávio Bolsonaro também acionou o TSE. A campanha do senador afirmou que seus conteúdos eram prejudicados nas plataformas e pediu providências relacionadas à divulgação de publicações negativas.

Com a nova decisão, Bellizze autorizou o ingresso de Flávio na ação que já tramitava na Corte. A medida permite que o candidato participe formalmente da discussão, apresente argumentos e se manifeste sobre a  igualdade de tratamento entre as campanhas.

As alegações de ambas as candidaturas fazem parte da disputa judicial e não significam, por si só, que o tribunal tenha reconhecido favorecimento ou prejuízo deliberado a qualquer uma delas.

O que pode acontecer agora?

A Meta deverá comprovar, dentro das 24 horas estabelecidas, que cumpriu integralmente as determinações judiciais. Se não apresentar a comprovação exigida, a empresa poderá enfrentar a elevação da multa diária para R$ 1 milhão.

A decisão busca assegurar que as regras eleitorais sejam aplicadas durante o período de campanha, quando a circulação de conteúdos nas redes sociais e a publicidade digital podem influenciar o acesso dos eleitores às informações sobre os candidatos.

Entenda o que motivou a decisão

A cobrança ocorre após denúncias sobre possíveis diferenças na distribuição de conteúdos eleitorais. Em decisão anterior, o TSE já havia determinado que a Meta não reduzisse o alcance de publicações relacionadas aos dois candidatos, não excluísse recomendações nem restringisse resultados de busca de maneira desigual. Em 16 de outubro, o plenário confirmou essa ordem por unanimidade.

A controvérsia também envolve a ferramenta de inteligência artificial da empresa. A campanha de Lula afirmou que pedidos para gerar imagens relacionadas ao presidente eram barrados, enquanto solicitações envolvendo Flávio Bolsonaro eram atendidas.

Interação com o Meta AI para criar arte de campanha de Lula e Bolsonaro
Foto: Foto: Reprodução/WhatsApp
Interação com o Meta AI para criar arte de campanha de Lula e Bolsonaro

A Meta, por sua vez, atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas e declarou ter adotado medidas para cumprir as regras eleitorais brasileiras.

A decisão mais recente reforça a obrigação de a empresa demonstrar, com documentos claros e individualizados, quais providências foram tomadas para garantir condições equivalentes às candidaturas.