Debate na Band: Flávio questiona Lula sobre Roberta Luchsinger

Senador citou acusações da lobista sobre Lulinha e ministros; presidente disse que investigação cabe à PF e negou proteger o próprio filho

Candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, na sede da emissora, região sul de São Paulo, neste domingo (18)
Foto: Marina Uezima/Parceiro/Agência O Dia
Candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, na sede da emissora, região sul de São Paulo, neste domingo (18)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrou explicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua relação com a empresária e lobista Roberta Luchsinger durante o d ebate presidencial da Band, neste domingo (18). Investigada no caso dos descontos ilegais em aposentadorias do INSS, ela havia afirmado, em entrevista à CNN Brasil no sábado (17), que Lula tinha conhecimento de encontros entre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,  e integrantes do Governo Federal.

Flávio também questionou a situação de Lulinha, que mora na Espanha, e insinuou que o presidente estaria protegendo o filho. Lula negou interferência nas investigações, afirmou que o caso está sob responsabilidade da Polícia Federal e disse que eventuais irregularidades envolvendo familiares devem ser apuradas.

A discussão começou quando Lula perguntou por que Flávio havia votado contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras públicas do Rio de Janeiro, em 2009. O senador respondeu que não tinha nada contra as mulheres, mencionou a esposa e as filhas e passou a questionar o adversário sobre Roberta.

Flávio cobra explicações sobre Roberta

"Lula, você conhece Roberta Luchsinger? Fez acusações graves contra você ontem", questionou Flávio.

O candidato também confrontou o presidente sobre declarações anteriores nas quais Lula havia negado conhecer a empresária.

"Você disse que não conhecia, tem a oportunidade de corrigir sua resposta", insistiu.

Lula respondeu que a situação de Roberta deve ser examinada pelos investigadores.

"A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar", afirmou.

O presidente também acusou o adversário de utilizar informações sem comprovação para atacá-lo e voltou a cobrar uma resposta sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade.

Flávio manteve os questionamentos. O senador mencionou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado como um dos principais articuladores do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O candidato do PL levantou suspeitas sobre possíveis pagamentos envolvendo Antunes e Lulinha, além de questionar quem estaria custeando a permanência do filho de Lula na Espanha. As afirmações foram apresentadas como acusações políticas durante o debate, sem comprovação documental naquele momento.

Lula diz que não protegerá familiares

Ao responder aos questionamentos sobre Lulinha, o presidente afirmou que o filho disponibilizou informações bancárias e telefônicas para as investigações.

"Se tiver investigação, se tiver problema, será investigado. Seja meu filho, seja meu irmão, seja qualquer um", declarou.

Lula também rebateu a comparação feita pelo senador entre a atuação da Polícia Federal e a situação de pessoas próximas ao governo.

"Eu não sou um pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai", afirmou.

O presidente voltou a atribuir ao governo Jair Bolsonaro a origem do esquema de descontos irregulares no INSS. Flávio contestou a acusação e afirmou que integrantes ligados ao PT também precisam responder pelas fraudes.

A investigação sobre os descontos associativos indevidos envolve suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A responsabilidade individual de cada pessoa investigada depende da apuração policial e das decisões da Justiça.

O que Roberta Luchsinger declarou

A discussão no debate ocorreu um dia depois de Roberta conceder uma entrevista exclusiva à CNN Brasil, conduzida pelos jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta.

Na conversa, a empresária afirmou que Lulinha havia se reunido diversas vezes com ministros do Governo Federal e que o presidente sabia desses encontros. Também criticou Lula por tê-la chamado de "pilantra" e sinalizou disposição para colaborar com as investigações.

"Ele mente o tempo inteiro", disse Roberta à CNN.

A lobista é investigada em apurações que examinam suas relações com Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes. Entre as suspeitas investigadas está a existência de uma possível sociedade oculta entre ela e o filho do presidente, hipótese negada pelos envolvidos.

Em nota divulgada após a entrevista, Lula negou envolvimento com Roberta e afirmou desconhecer as tratativas mencionadas por ela. O presidente também questionou a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno.

As declarações da empresária, por si só, não comprovam que Lula tenha participado de irregularidades ou conhecido eventuais negociações investigadas pela Polícia Federal.

Troca de acusações chegou ao fim do bloco

O confronto sobre Roberta se estendeu para outras investigações envolvendo pessoas próximas aos candidatos.

Lula cobrou explicações de Flávio sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou recursos ligados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador voltou a acusar integrantes do PT de corrupção e questionou a independência das investigações federais.

No decorrer do debate, os candidatos também discutiram o funcionamento da Polícia Federal e a atuação do Judiciário.

A disputa presidencial será decidida no próximo domingo (25), quando Lula e Flávio se enfrentarão no segundo turno das eleições.