
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate marcado por acusações de corrupção, questionamentos sobre familiares e divergências em saúde, economia e segurança pública neste domingo (18), na Band. No primeiro confronto direto do segundo turno presidencial, os candidatos também apresentaram propostas para reduzir o endividamento das famílias e melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O debate teve presença constante da plateia.
A uma semana da eleição, Lula explorou episódios envolvendo Jair Bolsonaro e cobrou explicações sobre o Banco Master. Flávio concentrou ataques nas investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias e questionou a relação de pessoas próximas ao presidente com investigados. As acusações dominaram parte do encontro, deixando propostas de governo em segundo plano.
INSS e familiares entram no centro do confronto
Flávio questionou Lula sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sua ligação com Roberta Luchsinger, citada nas investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.
O senador também fez acusações sobre a permanência do filho do presidente na Espanha e cobou explicações sobre a atuação da Polícia Federal. As suspeitas mencionadas por Flávio não representam comprovação de participação de Lulinha em crimes.
"A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar", respondeu Lula.
O presidente afirmou que eventuais irregularidades envolvendo seus familiares devem ser investigadas. Também acusou o governo Jair Bolsonaro de não ter impedido os descontos e defendeu a atuação de sua gestão para identificar responsáveis e ressarcir aposentados.
Flávio contestou essa versão. O candidato atribuiu a expansão das cobranças a alterações legais apoiadas pelo PT e afirmou que impediria novos desvios caso fosse eleito.
A discussão avançou para Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos. Lula criticou sua atuação política no exterior. Flávio, por sua vez, acusou o presidente de proteger familiares.
Banco Master provoca nova troca de acusações
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro também entrou no debate. Lula cobrou esclarecimentos sobre R$ 134 milhões associados ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, enquanto Flávio questionou supostos repasses ligados ao Instituto Lula.
Nenhum dos dois apresentou, durante o confronto, documentação suficiente para comprovar as acusações lançadas contra o adversário.
O diálogo ficou mais tenso quando os candidatos passaram a se atacar pessoalmente.
"Quero distância de miliciano", afirmou Lula.
Flávio respondeu: "Eu estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar agora".
SUS e pandemia dividem candidatos
Na discussão sobre saúde, Flávio prometeu ampliar o uso da telemedicina, integrar prontuários eletrônicos por CPF e utilizar inteligência artificial para direcionar pacientes às unidades de atendimento.
O candidato apresentou o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde.
"Eu quero colocar o padrão Einstein no SUS", afirmou.
A proposta envolve o uso de tecnologia para reduzir dificuldades enfrentadas por pacientes na marcação de consultas, exames e atendimentos especializados. Flávio não detalhou, naquele momento, de onde sairiam todos os recursos necessários para ampliar o serviço.
Lula rebateu lembrando a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro. O presidente criticou o atraso na vacinação e a divulgação de tratamentos sem eficácia comprovada.
Flávio reconheceu problemas na área durante a gestão do pai, mas atribuiu parte das dificuldades à situação excepcional provocada pela pandemia.
O petista também defendeu a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro e citou investimentos para ampliar consultas e procedimentos especializados.
Flávio promete carência para endividados
Na economia, Flávio apresentou sua proposta de renegociação de dívidas. Segundo o candidato, a Caixa Econômica Federal poderia comprar débitos de consumidores e empresas para refinanciá-los com juros menores.
O plano prevê seis meses de carência para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas.
"Você não vai pagar boleto nenhum", prometeu Flávio ao explicar o período de suspensão das parcelas.
O senador também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade, com políticas de assistência social, crédito e qualificação profissional. Afirmou que manteria o Bolsa Família e buscaria ampliar oportunidades de geração de renda.
A proposta ainda depende de detalhamento sobre financiamento, critérios de adesão e participação dos bancos.
Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo, os reajustes dos benefícios previdenciários e a manutenção dos programas sociais. O presidente também associou a capacidade de investimento do país ao crescimento econômico.
Flávio contestou os resultados apresentados pelo governo e criticou os preços dos alimentos, a dívida pública e os juros cobrados dos brasileiros.
Segurança pública e armas
Os candidatos também divergiram sobre o combate ao crime organizado.
Flávio defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas e criticou a atuação federal na segurança. Lula sustentou que a União precisa ampliar sua participação no combate às facções e voltou a defender a PEC da Segurança Pública.
O presidente também criticou a flexibilização do acesso a armas durante o governo Jair Bolsonaro. Flávio respondeu com ataques à política criminal do PT e acusações sobre o perfil do eleitorado do adversário.
O debate foi realizado sete dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Outro encontro entre os candidatos está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.