Augusto Cury
Carlos Elias Junior/ Agência O Dia
Augusto Cury

O escritor Augusto Cury (Avante) declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A decisão foi fechada nesta quinta-feira (08), após uma conversa por videochamada entre os dois e a assinatura de um documento com oito compromissos apresentados pelo ex-candidato.

O anúncio muda a posição adotada por Cury logo após o primeiro turno. No domingo (04), ele havia dito que permaneceria em silêncio e que ninguém estava autorizado a declarar apoio a Flávio ou a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu nome.

Cury terminou a primeira etapa da eleição em terceiro lugar, com 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos. Flávio teve 47,03% e Lula, 45,16%. Os dois voltam às urnas no dia 25 de outubro.

A conversa entre Cury e Flávio durou mais de uma hora. O escritor condicionou o apoio à assinatura do chamado “Termo de Compromisso Público com o Brasil”, firmado por Flávio às 12h30 desta quinta-feira, em Brasília.

O documento afirma que a adesão ocorreu sem troca de cargos ou vantagens pessoais. Também registra que o apoio “não constitui um cheque em branco” e preserva a possibilidade de Cury cobrar, questionar e criticar o candidato do PL.

Flávio assina oito compromissos

O primeiro ponto prevê que Flávio defenda uma mudança na Constituição para acabar com a possibilidade de reeleição para presidente da República.

Na educação, o documento prevê expansão do ensino em tempo integral, valorização dos professores e ampliação do ensino técnico e profissionalizante. Na saúde, o compromisso inclui aumentar o uso da telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Flávio também assumiu propostas relacionadas ao combate à violência contra as mulheres, fortalecimento de cooperativas e financiamento de microempreendimentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de outras instituições financeiras.

Na agricultura, o texto estabelece como meta dobrar a produção brasileira de alimentos em dez anos, com investimentos em tecnologia, irrigação, crédito rural e infraestrutura. O último compromisso trata de uma política de pacificação e afirma que um eventual governo não deverá agir por “vingança, rancor, perseguição ou ressentimento político”.

Parte dessas medidas dependeria do Congresso Nacional. O próprio termo afirma que os compromissos devem observar as atribuições constitucionais da Presidência, a responsabilidade fiscal e a necessidade de aprovação parlamentar nos casos de mudanças legislativas ou constitucionais.

A adesão ocorre quatro dias depois de Cury terminar a eleição em terceiro lugar e afirmar que não apoiaria nenhum dos dois candidatos naquele momento. Durante a campanha, porém, ele já havia condicionado um eventual apoio a Flávio à incorporação de propostas apresentadas por sua candidatura.

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