
Natural da Bélgica, onde nasceu em 1944, Francis Halzen atua como docente na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, destacando-se como uma das figuras mais proeminentes da astrofísica moderna.
Por mais de vinte anos, o físico sustentou uma ideia audaciosa que parecia inviável para muitos especialistas: converter um quilômetro cúbico de gelo no continente antártico em um imenso laboratório de detecção de partículas.
Essa dedicação levou à conquista do Prêmio Nobel de Física de 2026, concedido pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, que lhe rendeu 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões). O feito tem grande valor histórico, pois Halzen venceu a premiação de maneira solo, algo inédito na disciplina desde 1992, celebrando sua liderança no Observatório IceCube e na revelação de neutrinos astrofísicos de alta energia.
O eixo de seus trabalhos envolve os neutrinos, componentes subatômicos essenciais com massa insignificante e isentos de carga elétrica, fartamente espalhados pelo cosmos. Apelidados de "partículas fantasmas", eles reagem de modo tão sutil com a matéria que trilhões deles passam pela Terra e pelo nosso corpo a cada segundo, de forma imperceptível.
Rastrear essas partículas pelo espaço é um avanço marcante porque elas atuam como mensageiras cósmicas singulares. Como não carregam carga elétrica, não sofrem desvios causados por campos magnéticos. Além disso, por quase não colidirem com os átomos, percorrem trajetórias gigantescas sem serem interrompidas pela poeira das galáxias. Dessa forma, mapear a rota de um neutrino permite identificar exatamente onde fica sua fonte geradora no Universo.
Para registrar esses raros eventos, nasceu o Observatório IceCube, sugerido por Halzen em 1988 e finalizado em 2011. Com milhares de sensores ópticos cravados a mais de 1,5 quilômetro de profundidade no gelo polar, o sistema capta discretos lampejos de luz azul, conhecidos como radiação Cherenkov, emitidos no instante exato em que um neutrino atinge o núcleo de um átomo no gelo.
Através dessa estrutura inovadora, a equipe do IceCube obteve um achado memorável: detectou os primeiros neutrinos de alta energia vindos do espaço profundo, comprovando que eles surgem nos cenários mais turbulentos do Universo, como as proximidades de buracos negros supermassivos. Com esse avanço, Halzen e seus colaboradores deram origem à astronomia de neutrinos, fazendo uma maneira completamente nova de estudar o cosmos.
Antes de Francis, em 1992, o físico George Charpak também recebeu a láurea individualmente por suas contribuições na invenção de detectores de partículas.