
Um menino de 1 ano e 10 meses morreu após ser picado por uma aranha na segunda-feira (21), em Atibaia, no interior de São Paulo. Arthur Matias dos Santos estava com a família em um sítio no bairro dos Pintos, na região do Portão, quando teve contato com o animal.
Segundo o pai, Marcondes Matias, a reação da criança foi muito rápida. Ele contou que viu a aranha passar pela mão do filho e que, poucos segundos depois, o menino começou a apresentar sintomas.
A família levou Arthur inicialmente para a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro do Portão. De acordo com a Prefeitura de Atibaia, a criança chegou ao local por volta das 15h20, já apresentando sinais de extrema gravidade.
Depois, o menino foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Terra Preta, distrito de Mairiporã, onde três médicos participaram do atendimento e tentaram reanimá-lo. A criança não resistiu.
O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (23), no Cemitério São Sebastião, no bairro Alvinópolis, em Atibaia.
Família relata reação em poucos segundos
O pai relatou que estava próximo de Arthur quando percebeu a presença do animal.
Em questão de segundos, o meu filho estava perto de mim. Foi quando meu pai gritou. Eu olhei e, quando olhei, a aranha estava muito próxima dele. Ela passou por cima da mão dele e ele fez ‘ai’. Nessa hora eu peguei ele, levantei e meu filho já começou a vomitar. Pai de Arthur
A família afirmou que levou o menino à unidade de saúde mais próxima assim que percebeu o que havia acontecido.
A Prefeitura de Atibaia informou que os familiares chegaram à UBS sem conseguir identificar ou capturar o animal. Segundo a administração municipal, a equipe iniciou imediatamente o contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para solicitar atendimento e encaminhamento.
Enquanto a ligação era realizada, porém, os familiares optaram por levar a criança por meios próprios até a UPA de Terra Preta. A Prefeitura informou que Arthur chegou à unidade de Mairiporã por volta das 15h35.
A administração de Mairiporã confirmou que a criança chegou em estado grave e que três médicos foram mobilizados para o atendimento. Apesar das tentativas de reanimação, o quadro não foi revertido.
Atibaia tem referência para casos com animais peçonhentos
Em nota, a Prefeitura de Atibaia informou que a Santa Casa da cidade é a referência municipal indicada para atendimento de acidentes envolvendo animais peçonhentos.
A administração também afirmou que a UBS do Portão não é um pronto-socorro e que, diante da gravidade apresentada pela criança, a equipe acionou o Samu para definir o encaminhamento adequado.
O município lamentou a morte e informou que permanece à disposição da família para prestar esclarecimentos sobre o atendimento realizado pela rede municipal.
Estado soma milhares de acidentes
Dados do Governo de São Paulo apontam que o estado registrou 49.541 acidentes com animais peçonhentos em 2026, segundo os números apresentados no caso.
Os escorpiões concentram a maior parte das notificações, com 35.253 ocorrências e três mortes. Já os acidentes envolvendo aranhas somaram 6.924 registros e duas mortes no período.
Em Atibaia, foram contabilizadas 136 notificações de acidentes com animais peçonhentos neste ano. Segundo os dados divulgados no caso, a morte de Arthur foi a primeira registrada no município em 2026.
Quais aranhas podem causar acidentes graves?
O Ministério da Saúde destaca três grupos de aranhas de importância médica no Brasil: aranha-marrom (Loxosceles), aranha-armadeira (Phoneutria) e viúva-negra (Latrodectus). Os efeitos variam de acordo com a espécie e com a quantidade de peçonha inoculada.
No caso da aranha-armadeira, por exemplo, podem ocorrer dor imediata, inchaço, vermelhidão, suor, alteração da frequência cardíaca e, em quadros graves, convulsões, choque e edema pulmonar. Já a picada da aranha-marrom pode inicialmente passar despercebida e evoluir posteriormente com lesões na pele e, em situações mais graves, alterações sistêmicas.
A espécie da aranha envolvida na morte de Arthur não foi identificada, de acordo com as informações divulgadas pelas prefeituras.
O que fazer em caso de picada?
O Ministério da Saúde orienta que, diante de um acidente com aranha, o local seja lavado e que a vítima seja levada imediatamente a um serviço de saúde. Se for possível e não houver risco de um novo acidente, a aranha pode ser fotografada ou levada para identificação.
A orientação é não tentar tratamentos caseiros. Substâncias como café, querosene, gasolina, ervas ou outros produtos não têm eficácia comprovada para tratar os efeitos da picada.
Em situações de emergência, o Ministério da Saúde orienta acionar o Samu, pelo 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.