
Uma mulher caminhava pelas dunas de uma praia na tentativa de ajudar o filho, que havia atolado o carro na areia, quando notou algum objeto enterrado até a metade no local. Curiosa, a mulher pegou o item e levou para casa. Alguns dias depois, descobriu ser a garrafa mais antiga do mundo.
De acordo com informações divulgadas pelo Western Australian Museum, a garrafa foi encontrada por Tonya Illman no dia 21 de janeiro de 2018, ao norte de Wedge Island, na Austrália.
Após notarem que se tratava de um objeto possivelmente histórico, ela e a família decidiram levar o item até o museu local, que estudou o paradeiro da garrafa.Nas análises, os pesquisadores descobriram que o artefato fez parte de um experimento científico da época sobre correntes marítimas. Isso por causa de uma mensagem que estava em um papel dentro da garrafa.Com isso, o museu comprovou que a garrafa foi achada cerca de 131 anos e 223 dias depois de ser lançada ao Oceano Índico, em 1886, na Alemanha.A descoberta estabeleceu um novo recorde mundial para achados do tipo. O anterior era de 108 anos, quatro meses e 18 dias.Papel dentro da garrafa continha uma mensagem
Tonya contou ao museu que não imaginava que tivesse descoberto algo histórico. Ela disse que o objeto parecia antigo, era diferente e quis usar como decoração em casa. A namorada do filho foi quem notou que havia algo dentro da garrafa.
A família retirou a areia de dentro e descobriu um papel úmido e frágil. Eles deixaram secar e viram que que era um formulário impresso, em alemão, com uma caligrafia muito apagada.

Diese Flasche wurde űber Bord geworfen mensagem contida no papel, segundo Western Australian Museum
A tradução dizia que a garrafa foi jogada ao mar à bordo de um navio no dia 12 de junho de 1886. O navio era chamado Paula e fazia a rota entre o País de Gales e “Makassar”, conhecidas como Índias Orientais Holandesas, hoje parte da Indonésia.
Experimento científico alemão
Conforme o museu, a garrafa fez parte do programa “Deutsche Seewarte”, do Observatório Naval Alemão à época. Entre 1864 e 1933, navios alemães lançaram milhares de garrafas nos oceanos com objetivo de estudar o comportamento das correntes marítimas.
Todas carregavam o mesmo formulário, preenchido à mão com data, coordenadas, nome do navio, porto de origem e rota que deveria seguir. A ideia era que quem encontrasse devolvesse ao observatório ou algum consulado do país.
O experimento já era conhecido pela ciência e história. Segundo o museu, das milhares de garrafas lançadas ao mar durante o experimento, que durou 69 anos, apenas 662 mensagens foram devolvidas a Alemanha, todas sem as garrafas.
A descoberta na Austrália foi a 663ª, mas é o único exemplar conhecido com o tipo de garrafa utilizado no experimento. A mensagem foi encontrada em 7 de janeiro de 1934, na Dinamarca.
Garrafa boiou apenas por um ano
Ainda segundo os pesquisadores, o objeto provavelmente chegou à praia na Austrália cerca de um ano depois do lançamento. A “sorte” foi ter ficado enterrada em areia úmida, que a preservou e protegeu pelos 131 anos restantes.
A condição protegeu a garrafa, único exemplar conhecido até hoje, sem que a passagem do tempo destruísse o artefato. Os cientistas estimam que a ressaca do mar ou outro fenômeno climático tenha desenterrado o exemplar.
Item foi estudado e está exposto
Ao ser entregue para os pesquisadores do Western Australian Museum, a garrafa passou por uma investigação histórica e confirmação de autenticidade. Os pesquisadores encontraram o diário de bordo oficial do navio Paula, que confirmou o lançamento da garrafa.
A caligrafia do papel também foi conferida com o diário, a fim de confirmar que a mensagem foi realmente escrita pelo capitão da embarcação, o que também atestou que fez parte do estudo da época.
Com isso, a família cedeu o objeto ao museu, que segue exposto na sessão marítima, em Fremantle, Austrália.