
Uma camada de tinta branca sobre o telhado foi suficiente para mudar a temperatura dentro de centenas de casas na Filadélfia, nos Estados Unidos. Entre os anos de 2001 e 2003, um programa voltado principalmente a idosos de baixa renda aplicou revestimentos reflexivos nas coberturas de cerca de 340 residências e passou a medir quanto calor ainda conseguia atravessar o teto.

Os resultados foram positivos e apareceram nos dias mais quentes das respectivas estações anuais. A temperatura medida junto à parte interna do teto das casas caiu entre entre 2,2°C a 2,8°C. Já nos quartos do andar superior, sem ar-condicionado, a redução do ar ambiente ficou em torno de 1°C. Com tamanha diminuição, o calor percebido pelas pessoas dentro das casas caiu pela metade.
A cobertura branca é uma solução minimamente intrusiva para o resfriamento urbano que tem um efeito imediato em comparação com outras opções que exigem mais intervenção. Kiran Kumar Donthu, pesquisador da Nanyang Technological University

O efeito sobre a entrada de calor pelo teto, por sua vez, foi ainda maior. Uma atualização publicada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, apontou uma redução de quase 80% no ganho térmico vindo da cobertura. O levantamento acompanhou a temperatura e a umidade em 35 imóveis diferentes, comparando a sensação nas residências antes e depois da intervenção.
Os dados de temperatura mostram padrões claros dos impactos do programa, consistentes com as expectativas. Relatório técnico citado da EPA

O desfecho foi favorável, apesar do material usado não se tratar de uma tinta branca convencional. A Agência Coordenadora de Energia, ONG sem fins lucrativos fundada em 1984, utilizou revestimentos com alta capacidade de refletir a radiação solar. Ademais, a tinta foi combinada a um reforço de isolamento térmico em parte das casas estudadas.
Por que um telhado branco esquenta menos?

A explicação passa pelo chamado albedo, nome dado a superfícies escuras que absorvem uma parcela maior da energia recebida do Sol. Cientificamente falando, as tintas claras refletem mais radiação antes que ela seja transformada em calor e transferida para dentro do imóvel.

A diferença dos telhados brancos também apareceu no consumo elétrico das casas. À época, a iniciativa Philadelphia Cool Homes Project registrou uma economia média de cerca de 560 kWh por ano na energia usada para climatização em cada residência atendida. A conclusão do projeto foi tão positiva que, mais de duas décadas depois, a cidade da Pensilvânia voltou a testar a mesma estratégia.

Desde o fim de 2025, 62 casas do bairro Strawberry Mansion receberam de forma gratuita o revestimento branco através de um projeto da Prefeitura da Filadélfia em parceria com a mesma Agência Coordenadora de Energia. O projeto serviu de inspiração para experimentos posteriores, indicando que a ideia também pode funcionar em uma escala maior.

Um estudo da University College London, na Inglaterra, calculou que a adoção ampla de telhados frios poderia reduzir a temperatura externa média da capital britânica em cerca de 1,2°C.
Chegamos à conclusão de que os telhados frios são a melhor maneira de manter as temperaturas baixas durante os dias extremamente quentes. Kiran Kumar Donthu, pesquisador da Nanyang Technological University,