O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian
Reprodução/Ministério das Relações Exteriores Irã
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (1º) que o país está disposto a retomar imediatamente os compromissos previstos em um acordo provisório com os Estados Unidos, caso Washington volte a cumprir os termos negociados. A declaração ocorre após uma nova troca de ataques entre os dois países, segundo informações da Reuters.

A fala foi feita durante uma cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão. Pezeshkian afirmou que Teerã continua aberto a uma solução negociada e defendeu que o conflito não interessa a nenhuma das partes.

Irã condiciona acordo ao cumprimento dos EUA

O presidente iraniano se referiu ao acordo provisório firmado em junho entre Teerã e Washington, que tinha como objetivo interromper o conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã.

No entanto, o entendimento acabou não avançando diante de divergências sobre sua implementação.

Segundo Pezeshkian, caso os Estados Unidos retomem o cumprimento dos compromissos assumidos no acordo, o Irã também voltará a cumprir sua parte.

A posição de Teerã inclui a questão do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. O governo iraniano tem afirmado que a livre navegação pela região dependerá do cumprimento dos termos negociados por Washington.

EUA e Irã voltam a trocar ataques

A declaração ocorre depois de uma nova escalada militar entre os países.

Segundo as informações divulgadas, os Estados Unidos atacaram a ilha de Larak, no Irã, enquanto forças iranianas lançaram ataques contra duas bases militares americanas localizadas na Jordânia.

Essa foi a primeira troca direta de ataques entre os dois países desde o fim de julho.

Uma autoridade iraniana de alto escalão ouvida pela Reuters classificou os episódios como um "confronto limitado e contido", mas afirmou que Teerã responderá de maneira dura caso volte a ser atacado.

Apesar da nova ofensiva, Pezeshkian afirmou que o Irã permanece disposto a buscar uma solução por meio de negociações.

Trump diz que não é volta à guerra

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (31) que a retomada dos ataques não representa necessariamente o retorno de uma guerra em larga escala.

Trump também descartou a possibilidade de utilizar uma arma nuclear contra o Irã. Segundo o presidente americano, o país já estaria "militarmente derrotado" e, por isso, não haveria motivo para uma ação dessa magnitude.

O presidente americano também afirmou que as defesas aéreas dos Estados Unidos conseguiram interceptar os mísseis iranianos que poderiam causar danos e disse que as  novas sanções econômicas aplicadas por Washington estão provocando forte impacto sobre o Irã.

Estreito de Ormuz é ponto de tensão

O Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de preocupação diante da escalada entre os países.

A passagem marítima é estratégica para o mercado mundial de energia porque concentra uma parcela significativa do transporte internacional de petróleo. Qualquer restrição à navegação na região pode provocar impactos sobre o abastecimento e os preços da commodity.


O governo iraniano tem usado a possibilidade de garantir ou restringir a navegação pelo estreito como parte das negociações com os Estados Unidos.

Por enquanto, a declaração de Pezeshkian indica que Teerã não descarta uma retomada do entendimento firmado em junho, mas condiciona o avanço ao cumprimento dos compromissos por parte de Washington.

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