
Quem passa diariamente pela SP-075 talvez nem perceba a dimensão da importância que essa estrada tem para a região de Campinas, em São Paulo. Conhecida principalmente como Rodovia Santos Dumont, ela vai muito além de uma ligação entre municípios: é um corredor que conecta áreas industriais, centros urbanos, o Aeroporto Internacional de Viracopos e outras importantes vias do estado.
Com cerca de 77,6 km, a SP-075 atravessa Campinas, Indaiatuba, Salto e Itu até chegar a Sorocaba. No caminho, encontra rodovias estratégicas como Anhanguera, Bandeirantes, Castello Branco e Marechal Rondon, ampliando a conexão da região de Campinas com diferentes partes do estado.
Mas existe uma curiosidade especial por trás do nome que ficou mais conhecido entre os motoristas: a homenagem ao brasileiro Alberto Santos Dumont, considerado um dos grandes pioneiros da aviação.
Uma homenagem que tem ligação com Campinas
A escolha do nome não aconteceu por acaso. Santos Dumont teve uma relação importante com a cidade de Campinas ainda na juventude.
Alberto Santos Dumont estudou no tradicional Colégio Culto à Ciência, onde permaneceu durante a adolescência. A escola, que hoje integra a rede estadual e é tombada como patrimônio cultural, registra o inventor entre seus antigos alunos.

Ele chegou a Campinas em 1883 e passou parte da infância na cidade. Décadas mais tarde, já conhecido internacionalmente por seus experimentos com dirigíveis e aviões, voltou ao município e manteve uma ligação simbólica com Campinas.
Por isso, o nome Santos Dumont acabou associado a um trecho da estrada que, décadas depois, teria justamente uma forte relação com a aviação: o acesso ao Aeroporto Internacional de Viracopos.
Da pista até o aeroporto
A história da atual SP-075, porém, não começou exatamente como uma única rodovia ligando Campinas a Sorocaba, no interior de São Paulo.
O primeiro trecho da estrada foi construído entre Campinas e Viracopos, com inauguração na década de 1960. Depois, a ligação foi ampliada em direção a Salto e, posteriormente, até Sorocaba. Ao longo dos anos, diferentes trechos e estradas foram integrados ao corredor que hoje conhecemos como SP-075.

Essa formação ajuda a explicar uma característica curiosa da estrada: apesar de ser identificada pela mesma sigla, ela possui diferentes denominações ao longo do percurso.
Segundo o DER-SP, a SP-075 corresponde ao eixo entre Sorocaba, Salto, Indaiatuba e Campinas.
Na região de Campinas, o trecho mais conhecido é justamente a Rodovia Santos Dumont.
Uma estrada que cresceu junto com a região
A transformação da SP-075 acompanhou o crescimento das cidades do eixo Campinas-Sorocaba.
Um estudo publicado na revista urbe, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, aponta que a construção da ligação moderna entre Campinas e Sorocaba, especialmente a partir da década de 1980, contribuiu para ampliar os fluxos de pessoas, mercadorias e atividades econômicas entre os municípios do corredor.

A estrada passou a funcionar como uma espécie de espinha dorsal entre Campinas, Indaiatuba, Salto, Itu e Sorocaba, conectando também essas cidades a outras regiões por meio das grandes rodovias paulistas.
Não é difícil entender o motivo.
Para quem mora em Indaiatuba e trabalha em Campinas, por exemplo, a estrada faz parte da rotina. Para empresas instaladas no eixo, ela representa acesso a fornecedores e mercados. Para quem precisa viajar de avião, funciona como uma das principais portas de entrada para Viracopos.
A ligação com Viracopos
É impossível contar a história recente da Santos Dumont sem falar do Aeroporto Internacional de Viracopos.
O terminal está localizado no km 66 da estrada, em Campinas. O próprio aeroporto identifica a Rodovia Santos Dumont como seu endereço oficial.

Essa proximidade ganhou ainda mais importância conforme Viracopos cresceu.
Em 2025, o aeroporto registrou o recorde anual de 12,8 milhões de passageiros, superando os 12,4 milhões registrados em 2024. Antes do início da concessão, em 2011, o terminal havia movimentado 7,6 milhões de passageiros.
E o movimento continuou forte em 2026. Em janeiro, Viracopos teve o melhor resultado de sua história para o mês, com 1,16 milhão de passageiros.
Na prática, isso significa que uma quantidade cada vez maior de pessoas utiliza diariamente o sistema viário que leva ao aeroporto.
Não é só passageiro: há muita carga circulando
A importância da Santos Dumont também aparece quando o assunto é logística.
Viracopos é um dos principais terminais de carga aérea do país. No primeiro semestre de 2026, o aeroporto movimentou 148,4 mil toneladas, alta de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025. Entre os segmentos que ajudaram a impulsionar o resultado estão os setores farmacêutico, tecnológico, aeroespacial e metalmecânico.
Isso coloca a SP-075 dentro de uma cadeia logística que vai muito além dos limites de Campinas.
Uma carga que chega ao aeroporto pode seguir pela estrada para centros de distribuição, fábricas e empresas de diferentes municípios. Da mesma forma, produtos fabricados na região podem utilizar a infraestrutura viária para chegar a Viracopos e, de lá, ganhar o Brasil e o exterior.

É uma relação direta entre estrada, aeroporto e atividade econômica.
Indaiatuba também está no centro desse corredor
Se Campinas concentra Viracopos e uma grande estrutura industrial e logística, Indaiatuba ocupa uma posição estratégica no meio desse eixo.
A cidade é cortada pela SP-075 e está conectada diretamente ao corredor que segue para Salto, Itu e Sorocaba.

A posição geográfica favoreceu a instalação de empresas e o deslocamento diário de trabalhadores entre os municípios.
Para quem vive na região, a rodovia acaba funcionando como uma ligação cotidiana entre cidades que, embora tenham administrações diferentes, formam um território econômico bastante integrado.
E o caminho continua até Sorocaba
Outro ponto que faz a Santos Dumont ganhar importância regional é sua conexão com Sorocaba.
A SP-075 não termina em Indaiatuba. O corredor segue por Salto e Itu até alcançar Sorocaba e se conecta à Rodovia Castello Branco.
Esse desenho transforma a estrada em uma alternativa estratégica para deslocamentos entre o eixo de Campinas e o sudoeste paulista.
O cruzamento com grandes rodovias também amplia o alcance da SP-075. A partir dela, o motorista consegue acessar corredores que levam a diferentes regiões do estado.
Uma curiosidade: ela nem sempre foi uma única estrada
Talvez uma das características menos conhecidas da SP-075 seja justamente sua origem.
O corredor atual foi formado a partir da modernização e integração de diferentes trechos rodoviários. Por isso, ao longo do caminho aparecem nomes diferentes associados à mesma SP-075, como Rodovia Santos Dumont, Rodovia Engenheiro Ermênio de Oliveira Penteado, Rodovia Prefeito Hélio Steffen e Rodovia Deputado Archimedes Lammoglia.
A configuração atual surgiu gradualmente, principalmente entre as décadas de 1960 e 1990.

A duplicação também ocorreu em etapas. O trecho entre Campinas e Viracopos foi duplicado nos anos 1980, enquanto a duplicação do corredor até a região da Castello Branco foi concluída em 1990. Um pequeno trecho em Salto permaneceu em pista simples até ser duplicado em 2010.
Uma estrada que movimenta a economia regional
Hoje, olhar para a Santos Dumont apenas como uma estrada que liga Campinas a Indaiatuba é reduzir bastante sua importância.
Ela integra um corredor que envolve Campinas, Indaiatuba, Salto, Itu e Sorocaba, conecta diferentes rodovias estaduais, atende áreas industriais e logísticas e dá acesso direto a Viracopos.
O papel da estrada também acompanha uma característica marcante da região: a circulação diária de trabalhadores entre municípios.
Um estudo sobre o corredor Campinas-Sorocaba destaca justamente que a SP-75 aumentou a velocidade e as possibilidades de circulação entre essas cidades e outras regiões do estado, contribuindo para o crescimento econômico e urbano do eixo.