
Quase setenta anos antes do Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação deste sábado (22), um cantor de 21 anos arregaçou a manga diante de fotógrafos em Nova York, nos Estados Unidos. O célebre Elvis Presley recebeu a vacina contra a poliomielite nos bastidores do programa The Ed Sullivan Show, da CBS.

Naquele dia 28 de outubro de 1956, a aplicação coube a Harold Fuerst, comissário assistente de Saúde novaiorquino, enquanto a comissária Leona Baumgartner segurava o braço do Rei do Rock. As fotos foram republicadas em jornais e revistas de todo o país, visando incentivar a vacinação numa sociedade que ainda carregava preconceitos contra o imunizante.
Ele está dando um excelente exemplo para a juventude do país. Leona Baumgartner, comissária de Saúde de Nova York
Na época, os Estados Unidos enfrentavam dificuldades no índice de vacinação nacional. Dois anos antes, o colunista Walter Winchell afirmou que o imunizante criado por Jonas Salk "poderia ser um assassino", com o próprio cientista vindo a público para rebatê-lo. A adesão ao antígeno entre adolescentes era considerada baixa, sobretudo nas regiões mais conservadoras do país. Para se ter ideia, só entre 1950 e 1953, a doença paralisou cerca de 120 mil americanos.

Naquela noite, Elvis cantou sucessos como "Hound Dog", "Love Me Tender" e "Don't Be Cruel". Logo depois, o Rei do Rock concedeu entrevista à rádio americana March of Dimes, alertando crianças e jovens a respeito dos perigos da poliomelite.
Olá, crianças. Posso falar com vocês por 30 segundos? Se você acha que a poliomielite foi vencida, peço que me escute. Essa é a voz de milhares de pessoas que sabem que a luta contra a poliomielite é tão difícil quanto sempre foi. Milhares sabem que a luta contra a poliomielite está complicada como sempre esteve. Algumas pessoas estão paralisadas a ponto de não conseguirem mover um dedo. Outras não conseguem fazer as coisas mais simples do dia a dia que tomamos como garantidas. Elvis Presley (à rádio March of Dimes)
Segundo a Scientific American, revista de divulgação científica mais antiga em publicação contínua nos Estados Unidos, apenas seis meses depois da entrevista do astro, a cobertura vacinal nesta faixa etária já alcançava 80%. Em 1963, o Departamento de Saúde de Nova York anunciou que os novos casos na cidade haviam caído a zero.

Manter a pólio fora do Brasil, onde foi erradicada em 1989, é um dos argumentos do Ministério da Saúde para a Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até 1º de setembro. Neste sábado, menores de 15 anos podem atualizar a caderneta nas Unidades Básicas de Saúde com 20 vacinas do Calendário Nacional, entre elas a pólio inativada, a tríplice viral e, pela primeira vez, a Pneumo 20.
Este é um momento importante para todo o país. Embora o Brasil tenha eliminado algumas doenças, como a poliomielite, é fundamental manter a vacinação em dia para evitar a reintrodução dessas doenças. Alexandre Padilha, ministro da Saúde