Trump provoca Irã com imagem de Ormuz como território dos EUA

Teerã rebateu publicação e afirmou que o presidente americano está “iludido” sobre o controle da estratégica passagem marítima

Trump provoca Irã com imagem de Ormuz como território dos EUA
Foto: Reprodução / Truth Social
Trump provoca Irã com imagem de Ormuz como território dos EUA

O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , voltou a elevar a tensão com o Irã nesta terça-feira (18) ao compartilhar uma imagem que apresenta o Estreito de Ormuz  como “novo território dos EUA”. A publicação foi divulgada nos perfis oficiais de Trump e da Casa Branca em meio à escalada do conflito no Oriente Médio .

A provocação recebeu uma resposta direta do governo iraniano. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a “ilusão” de Trump sobre o estreito será corrigida.

A montagem mostra o Estreito de Ormuz e áreas do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã, com a passagem marítima destacada. A publicação ocorre poucos dias depois de Trump afirmar que gostaria de transformar a região em território americano .

Irã rebate Trump

Após a divulgação da imagem, Gharibabadi reagiu nas redes sociais e afirmou que o presidente americano está equivocado sobre a situação do estreito.

Segundo o vice-ministro, “em breve” a ilusão de Trump a respeito de Ormuz será corrigida. A declaração ocorre em um momento de forte tensão entre Washington e Teerã, com o conflito se aproximando de seis meses.

A disputa pelo controle e pela circulação de embarcações na região se tornou um dos principais pontos de pressão entre os dois países.

Pelo direito internacional, uma declaração unilateral dos Estados Unidos não seria suficiente para transformar o estreito em território americano. A passagem está localizada entre áreas sob soberania do Irã e de Omã e é submetida a regras internacionais de navegação.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica . Ele conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, que, por sua vez, dá acesso ao Mar Arábico e ao Oceano Índico .

Apesar de relativamente estreito, o local tem enorme importância para a economia mundial.

Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo normalmente passa pela região. Grandes produtores, como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos , dependem da rota para transportar parte de sua produção aos mercados internacionais.

Por isso, qualquer interrupção significativa no tráfego pode afetar a oferta de petróleo e provocar reflexos nos preços internacionais de energia.

O que diz o direito internacional

O estreito é dividido entre águas territoriais iranianas e omanitas. Ao mesmo tempo, por ser uma rota utilizada para a navegação internacional, embarcações e aeronaves de outros países possuem direitos de passagem previstos no direito internacional.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estabelece regras para a passagem por estreitos utilizados para a navegação internacional.

O Irã assinou a convenção, mas não a ratificou. Ainda assim, a situação jurídica da região não permite que outro país simplesmente reivindique a soberania sobre o estreito por meio de uma declaração.

Trump já havia falado em controlar Ormuz

A publicação desta terça-feira retoma uma declaração feita por Trump nos últimos dias.

O presidente americano havia afirmado que gostava da ideia de declarar o Estreito de Ormuz como território dos Estados Unidos . Na ocasião, Trump também disse que Washington controlaria a região por meio do bloqueio marítimo imposto durante o conflito.

A declaração provocou reação do Irã e aumentou a tensão em torno da passagem, considerada estratégica para o comércio mundial de petróleo.

Além da disputa com Teerã, Trump também aumentou a pressão sobre Omã, país que mantém relações tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã e historicamente desempenha papel de mediador entre os dois governos.


Guerra entre EUA e Irã aumenta tensão na região

A nova publicação ocorre enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã continua sem uma solução definitiva.

O governo iraniano indicou que pode abandonar uma postura predominantemente defensiva e adotar uma estratégia mais ofensiva caso as negociações com Washington fracassem.

Trump, por sua vez, afirma que não tem pressa para chegar a um acordo permanente com Teerã e mantém a pressão militar e econômica sobre o país.

Nesse cenário, o Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de disputa. Além de sua importância militar e geopolítica, qualquer alteração significativa na circulação de navios pela região pode provocar impactos no petróleo, nos combustíveis e na economia mundial.