Trump ameaça Omã e quer Estreito de Ormuz como território dos EUA

Declaração ocorre em meio à guerra com o Irã, à queda no tráfego de navios e à preocupação mundial com o impacto sobre petróleo e combustíveis

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Foto: Foto: Reprodução/Flickr/Gage Skidmore
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos


O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , voltou a elevar o tom no conflito com o Irã e afirmou que considera transformar o Estreito de Ormuz em território norte-americano . A declaração ocorreu no momento em que terminou o prazo de 60 dias estabelecido em um memorando entre Washington e Teerã , sem que as partes chegassem a um acordo para encerrar a guerra e normalizar a navegação na região.

A fala representa uma nova escalada na disputa pelo controle de uma das principais rotas marítimas do planeta.  Trump também ameaçou Omã,  que mantém relações com os Estados Unidos e historicamente atua como intermediário entre Washington e Teerã . O presidente americano afirmou que poderia adotar uma resposta militar caso o país atrapalhasse os esforços para reabrir o estreito.

Trump fala em transformar Ormuz em território dos EUA

A declaração sobre o Estreito de Ormuz  foi feita por Trump no Salão Oval. Questionado sobre a situação da passagem marítima, o presidente afirmou que os Estados Unidos já teriam controle sobre a região por meio do bloqueio naval e disse considerar positiva a ideia de formalizar esse domínio como território americano.

No entanto, a afirmação não significa que o estreito tenha sido incorporado aos Estados Unidos . Trata-se de uma declaração política de Trump. O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima internacional localizada entre o Irã, ao norte, e a Península de Musandam, parte de Omã, ao sul.

A via conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e possui importância estratégica justamente porque concentra uma parcela significativa do transporte marítimo mundial de petróleo e gás.

Trump também afirmou que o Irã poderia tentar colocar minas na água ou atacar embarcações, mas minimizou a capacidade iraniana de impedir permanentemente as ações americanas.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante

O estreito é considerado um dos principais pontos de estrangulamento do comércio mundial de energia. Antes da atual crise, dezenas de embarcações atravessavam diariamente a passagem, transportando petróleo e derivados produzidos nos países do Golfo .

A redução do tráfego já provoca preocupação nos mercados internacionais. 

A tensão também tem reflexos sobre o preço dos combustíveis. O petróleo Brent fechou a segunda-feira (17) em US$ 90,87 (R$ 472,73) por barril, alta de mais de US$ 2 (R$ 10,40), em meio às preocupações com a continuidade da guerra e possíveis interrupções no fornecimento global.

Qualquer interrupção prolongada pode afetar países que dependem das exportações de petróleo e gás que passam pela região, o que aumenta os custos de transporte e pressiona a inflação em diferentes partes do mundo.

Trump ameaça bombardear Omã

A escalada não ficou restrita ao Irã . Trump também passou a pressionar diretamente Omã, que possui uma posição particularmente estratégica no conflito.

O país mantém uma relação de segurança com os Estados Unidos, mas também preserva canais de diálogo com o Irã . Essa posição fez de Omã um importante intermediário em negociações entre Washington e Teerã ao longo dos anos.

Em entrevista, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam bombardear Omã caso o país interferisse nos esforços americanos relacionados ao Estreito de Ormuz e às negociações com o Irã . Posteriormente, no Salão Oval, o presidente afirmou que o país poderia ser "tratado facilmente", mantendo a pressão sobre o governo omanita.

A ameaça ocorre justamente quando Omã e Irã tentam negociar alternativas para o tráfego marítimo. Os dois países chegaram a um entendimento sobre uma rota de navegação, segundo informações divulgadas pelo governo iraniano, enquanto Washington acompanha as negociações.

O que aconteceu com o acordo de 60 dias

O prazo mencionado por Trump tem origem em um memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã . O documento estabelecia uma janela de 60 dias para negociações que poderiam levar a um acordo mais amplo e à reabertura do Estreito de Ormuz .

O problema é que o entendimento deixou de funcionar como previsto poucas semanas depois. As negociações foram interrompidas e novos confrontos ocorreram entre os dois lados.

Assim, o fim do prazo em 17 de agosto não representa simplesmente o término de um cessar-fogo que permanecia intacto. O acordo já havia entrado em colapso antes disso, e a guerra continuou durante o período.

Trump afirmou que não pretende prorrogar o prazo e disse que não está com pressa para chegar a um novo acordo. Segundo o presidente americano, o principal objetivo continua sendo impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Irã promete manter controle sobre Ormuz

Teerã, por sua vez, não demonstra publicamente disposição para abrir mão de sua capacidade de pressionar a navegação pelo estreito.

O comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, classificou a passagem como um ativo geopolítico fundamental para o país e afirmou que o Irã pretende protegê-la com todos os recursos disponíveis.

O governo iraniano também rejeita a ideia de que Washington tenha controle soberano sobre o estreito. Na prática, a disputa envolve justamente a capacidade de cada lado de influenciar o tráfego marítimo em uma região essencial para a economia mundial.

Enquanto os Estados Unidos tentam pressionar Teerã por meio de sanções, bloqueio naval e ações militares, o Irã utiliza sua posição geográfica e sua capacidade de interferir na navegação como instrumento de pressão.


Crise também aumenta pressão sobre Trump

O conflito começa a produzir efeitos políticos dentro dos próprios Estados Unidos .

A alta dos combustíveis e a preocupação com a inflação aparecem em um momento delicado para o governo Trump, que se aproxima das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms .

O presidente reconhece que a guerra pode deixar a gasolina mais cara, mas sustenta que esse custo seria necessário para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.

Enquanto isso, o impasse diplomático permanece. O prazo de 60 dias terminou sem um acordo definitivo, o trânsito pelo Estreito de Ormuz continua muito abaixo dos níveis anteriores à guerra e as negociações envolvendo Omã e Irã adicionam uma nova dimensão à disputa.