
O calor intenso e o período prolongado de estiagem criam condições favoráveis para a formação de redemoinhos em Goiás . Para acontecer, o fenômeno depende de alguns fatores, como áreas abertas e quando o ar quente muito próximo à superfício encontra uma corrente de ar com temperatura mais baixa . Com isso se forma um movimento de rotação que pode levantar poeira, folhas, cinzas e até objetos pequenos, como telhas pequenas pedras.
O registro abaixo foi feito no município de Jataí e publicado nas redes socias. Nas imagens é possível notar que a massa de poeira vermelha levantada pelo redemoinho ultrapassa a altura dos postes da rede elétrica.
Segundo o gereente do Centro de Informações Metereológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, é justamente durante a estiagem que os registros se tornam mais comuns. Por serem fenômenos rápidos e muito localizados, os redemoinhos não são acompanhados individualmente por equipamentos meteorológicos e normalmente são mais documentados por vídeos e fotografias.
“Você tem um ar quente próximo à superfície e, de uma posição contrária, uma brisa ou um ar mais frio. Quando há essa combinação desses fatores, começa a se formar o vórtice. Ao formar esse vórtice, ele começa a ganhar corpo e formar o redemoinho”, explica.
Além da diferença de temperatura entre as massas de ar, a formação é favorecida por superfícies amplas e abertas, que recebem forte aquecimento solar. Por isso, segundo Amorim, os redemoinhos são menos comuns nas áreas mais densamente urbanizadas.
“Dentro de Goiânia é mais difícil porque você tem muito bloqueio. Os prédios, as construções, bloqueiam a circulação dos ventos. Você tem isso mais propício próximo à zona rural ou, na cidade, onde existem áreas mais abertas”, afirma.
O fenômeno pode durar poucos segundos ou alguns minutos. De acordo com Amorim, há relatos de redemoinhos com alturas variadas, desde cerca de cinco metros até estruturas que alcançam aproximadamente 60 metros.
A coluna de poeira que torna o fenômeno visível depende do material existente no solo. Em uma área seca, o movimento levanta terra e poeira. Em locais recentemente atingidos por incêndios, pode carregar cinzas e adquirir uma aparência escura.
“Quando ele se forma num local que queimou e tem cinzas, ele vai levantar a cinza. Fica parecendo um redemoinho preto”, explica.
Apesar da aparência, Amorim ressalta que o fenômeno não deve ser confundido com um tornado. Os redemoinhos associados ao forte aquecimento da superfície possuem intensidade e mecanismos de formação diferentes e não costumam ter força para deslocar objetos pesados.
Tempo seco e calor continuam nesta terça-feira
As condições meteorológicas que favorecem o aparecimento dos redemoinhos permanecem nesta terça-feira (18) em Goiás.
Segundo o Cimehgo, um bloqueio atmosférico continua atuando sobre o Brasil Central e mantém uma massa de ar seco e quente sobre o estado. A previsão é de predomínio de sol em todas as regiões e rápido aumento das temperaturas ao longo da manhã.
Durante a tarde, a umidade relativa do ar deve cair para valores entre 12% e 15% em grande parte do território goiano.
As maiores temperaturas previstas estão principalmente nas regiões Norte, Oeste e Central. Aragarças pode atingir 39°C, São Miguel do Araguaia 37°C e Porangatu 36°C. Em Goiânia, a máxima prevista é de 35°C.
O tempo aberto também provoca forte amplitude térmica. A diferença entre as temperaturas registradas no início da manhã e os valores máximos da tarde pode superar 15°C e chegar a 20°C em determinados pontos.
Nesta terça-feira, Cristalina registrou mínima de 15°C, enquanto Alto Paraíso de Goiás chegou a 15,4°C. Em Anápolis, a mínima foi de 15,7°C e, em Goiânia, variou entre 18,9°C e 20°C, conforme a estação considerada.
135 cidades estão em condição crítica para incêndios
A combinação de calor, baixa umidade, vento e vegetação seca mantém elevado também o risco de incêndios florestais.
O Cimehgo aponta que 135 dos 246 municípios de Goiás estão em condição crítica pelo chamado Fator 30-30-30. O indicador considera a combinação de temperaturas acima de 30°C, umidade relativa inferior a 30% e presença de vento, cenário que facilita a propagação do fogo.
Entre os municípios incluídos estão Alto Paraíso de Goiás, Caldas Novas, Goianésia, Ipameri, Jataí, Nova Roma, Porangatu, Rio Verde, São Domingos, São João d’Aliança e Teresina de Goiás.
A situação ocorre em meio à consolidação da estiagem sazonal no estado. Sem previsão de chuva e com a vegetação cada vez mais seca, o Cimehgo mantém o alerta para o risco severo a extremo de incêndios florestais.