
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeita de tráfico de influência. Na mesma decisão, o magistrado também determinou a abertura de uma investigação para apurar um possível vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso.
A decisão amplia as investigações envolvendo o empresário, que já havia sido alvo de autorizações judiciais nos últimos dias para apuração de fatos surgidos durante a Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema de fraudes em descontos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O que a Polícia Federal investiga
Segundo a linha investigativa da Polícia Federal, os investigadores buscam esclarecer se Lulinha utilizou sua influência para favorecer interesses privados em negociações ligadas ao mercado de cannabis medicinal e em contatos com integrantes da administração pública.
As apurações também analisam a relação do empresário com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado pela PF como um dos operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto.
O novo inquérito permitirá o aprofundamento das diligências e a análise de elementos reunidos durante as investigações já em andamento.
Investigação sobre vazamento
Além de autorizar o novo procedimento contra Lulinha, Flávio Dino determinou que seja instaurada uma investigação específica para identificar a origem de um possível vazamento de informações que estavam protegidas por sigilo.
Os investigadores também buscam esclarecer movimentações financeiras, contatos com agentes públicos e eventual utilização da estrutura do governo federal para favorecer negócios privados.
A apuração deverá verificar como documentos relacionados às investigações chegaram ao conhecimento de terceiros e se houve acesso irregular ao material.
Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem acusação formal contra Lulinha. A investigação está na fase de coleta de provas.
Defesas negam irregularidades
Em manifestações anteriores, a defesa de Lulinha afirmou que as suspeitas não possuem fundamento e sustentou que as investigações têm motivação política. A empresária Roberta Luchsinger, também mencionada nas apurações, afirmou que os pagamentos analisados pela Polícia Federal correspondem à prestação de serviços profissionais e negou qualquer irregularidade.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva ainda não havia se pronunciado sobre a decisão de Flávio Dino que autorizou a abertura do novo inquérito.