Alexandre Ramagem foi condenado no Brasil, pelo STF, no julgamento da trama golpista
Reprodução/Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Alexandre Ramagem foi condenado no Brasil, pelo STF, no julgamento da trama golpista

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13), em Orlando, nos Estados Unidos, por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).  A ação contou com cooperação internacional entre a Polícia Federal e autoridades dos Estados Unidos.


Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF),  a 16 anos de prisão, por tentativa de golpe de Estado. Segundo a PF, ele é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.

Depois disso, ele viajou para os Estados Unidos antes da prisão ser decretada. Considerado foragido, o governo brasileiro solicitou a ordem de extradição.

Fuga para os EUA

A condenação aconteceu em 11 de setembro de 2025, na 1ª Turma do STF, junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, Ramagem não foi julgado pelos crimes ligados aos atos de 8 de janeiro, porque já tinha sido diplomado deputado federal. Isso permitiu que parte do processo fosse suspensa pela Câmara dos Deputados.

Depois que ele perdeu o mandato, em 18 de dezembro, o STF retomou o processo. Com isso, a Procuradoria-Geral da República passou a defender que novas acusações fossem incluídas contra o ex-deputado.

Ao perder seu mandato de deputado, ele também teve seu passaporte diplomático cancelado, assim como a Câmara efetuou o bloqueio dos seus vencimentos parlamentares.

Já foragido nos Estados Unidos, em 6 de fevereiro de 2026, o ex-deputado  prestou depoimento por videoconferência no processo sobre os atos de 8 de janeiro. Na ocasião, negou os crimes e preferiu não responder a algumas perguntas.

Pedido de condenação da PGR

Nas alegações finais, a PGR pediu a condenação de Ramagem por outros crimes, como danos a bens públicos e destruição de patrimônio histórico, relacionados aos atos de 08 de janeiro.

Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, Ramagem teria atuado ao lado de Bolsonaro em discursos que incentivavam medidas contra a Constituição. Em um trecho do documento, ele afirma:

“Não houve exercício legítimo da liberdade fundamental de expressão, mas o uso de verdadeiro artifício de deslegitimação do processo eleitoral, para gerar estado de coisas favorável a providências de desrespeito, pela força, do resultado apurado nas eleições de 2022”. Paulo Gonet, Procurador-Geral da República


A acusação também aponta que Ramagem teria atuado nos bastidores do governo, ajudando a construir narrativas consideradas prejudiciais e participando da chamada “Abin paralela”.


O iG tentou contato com a esposa, Rebeca Ramagem , para confirmar mais informações, mas até o momento não houve retorno.

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