Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique  tinham 9, 11 e 12 anos na época em que sumiram
Divulgação / Polícia Civil
Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique tinham 9, 11 e 12 anos na época em que sumiram

A conclusão está na conclusão do inquérito da Delegacia de Homicídios da região. Segundo as investigações, Fernando Henrique Ribeiro Soares, de 11 anos, Alexandre da Silva, 10 anos e Lucas Matheus, de 8, apanharam dos assassinos. Um deles não sobreviveu às agressões, e os outros dois foram executados a tiros.

O secretário da Polícia Civil Allan Tirnowski afirmou que desde o desaparecimento, o caso foi tratado como "sensível".

"Eles não tinham um clube, não tinham um colégio, não eram vigiados, como crianças em outras áreas da cidade. Não resolver esse crime, significaria para essas comunidades um pavor de que seus filhos pudessem sumir, sendo que essa liberdade, talvez, seja a única diversão deles. Mexia com a rotina. Tínhamos que resolver o caso', disse, em entrevista ao Metrópoles.

Foram expedidos 51 mandados de prisão contra a quadrilha Comando Vermelho (CV) por associação ao tráfico, e cinco por homicídio, em uma operação na última quinta-feira (9) - 33 foram cumpridos. Três dos acusados do assassinato foram mortos pela quadrilha, um está preso e outro, foragido.

O secretário afirma que até mesmo a hipótese de tráfico de órgãos foi investigada pela polícia. No desenrolar da apuração, no entanto, apareceram sinais de que o tráfico estavia envolvido.

"O que me chamou atenção: ninguém vai a uma delegacia pedir ajuda para encontrar seus filhos e, ao mesmo tempo, queima um ônibus na porta da unidade. Nunca na história de um desaparecimento houve um ônibus queimado. Isso era coisa do tráfico de drogas. O advogado que prestou auxílio às mães defendia os traficantes da localidade nos casos deles na delegacia", conta.

Com a proximidade, ele diz que os traficantes queriam "monitorar as mães". "Acompanhar os passos delas, sem elas perceberem, através do advogado, que, em tese, estava ajudando", diz.

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"O advogado acabaria levando informações para o tráfico controlar a situação. Então aconteceu o terceiro fato: os traficantes torturaram uma pessoa e mandaram os moradores levarem para a porta da delegacia. Ali começou a ficar claro que havia uma ação orquestrada."

Trata-se de um homem que sofreu violência injustamente, acusado do sumiço dos meninos, e levado para a porta do 54ª DP de Belford Roxo em janeiro deste ano.

Os policiais tiveram certeza do envolvimento dos bandidos no crime no cruzamento dos depoimentos das testemunhas com as provas técnicas.

"Uma testemunha diz que as crianças foram jogadas no rio, em áudios captados com autorização judicial, temos diálogos que dão conta da morte dos meninos. Temos também a testemunha que presenciou o Estala dizendo que matou as crianças. E outra coisa importante foi a matança, após o surgimento das provais cabais que permitiram a finalização do inquérito."

As crianças teriam furtado um passarinho e levado para negociar na feira. Uma das testemunhas diz que os corpos foram jogados no rio. Depois de capturados, foram espancados.

"Os três apanharam. Um morreu por causa da surra e os outros dois foram executados."

O secretário diz que "ninguém viu" os meninos serem mortos. Os corpos, no entanto, ainda não foram encontrados. "Celulares foram apreendidos na operação de quinta-feira (9). Se houver provas novas, vamos apurar as informações."

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