Em contra-ataque ao avanço de Bolsonaro em seus redutos, PT planeja aproximação com militares
Carolina Antunes/PR
Em contra-ataque ao avanço de Bolsonaro em seus redutos, PT planeja aproximação com militares

Em reação à busca do presidente Jair Bolsonaro pelo eleitorado petista, com recorrentes viagens ao Nordeste e o investimento em programas sociais, o PT planeja um contra-ataque: ampliar o eleitorado militar, segmento que impulsionou Bolsonaro para a política e elegeu três de seus filhos.

O PT divulgará, em setembro, o que chama de Plano de Reconstrução Nacional. Entre as ações destacadas, está a aproximação com militares e simpatizantes.

O plano incentiva parlamentares petistas a formularem políticas públicas voltadas para o segmento e a lembrarem investimentos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas Forças Armadas durante os 13 anos de governo do PT. O partido atuará para filiar representantes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e das polícias militares estaduais.

"Nós, do PT, nunca fomos inimigos dos militares. Pelo contrário. Entendemos que eles são essenciais para o desenvolvimento nacional. Bolsonaro começou na política com o apoio da base militar, mas a realidade é que, quando chegou à Presidência, largou os praças e se colou nos generais. Ele cortou gratificações e benefícios de militares de baixa patente", afirma o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá.

O aceno petista aos militares ocorre no momento em que Bolsonaro vive sua fase de maior popularidade no poder, segundo pesquisa do Datafolha. O presidente tem investido em viagens pelo Nordeste, cujo eleitorado vota amplamente em candidatos do PT.

Em 2018, o candidato petista Fernando Haddad registrou 69,7% dos votos válidos na região, única do Brasil em que Bolsonaro foi derrotado.

O presidente também tem trabalhado para viabilizar o Renda Brasil, programa de distribuição de renda que substituiria o Bolsa Família, criado por Lula e criticado por Bolsonaro no passado. O núcleo do Planalto acredita que a implementação do Renda Brasil daria a Bolsonaro vantagem no pleito presidencial de 2022.

Você viu?

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Enio Verri (PR) nega que a aproximação com militares seja estratégia para avançar sobre o eleitorado de Bolsonaro:

"Lula e Dilma investiram muito nas Forças Armadas para o nacionalismo em projetos de desenvolvimento e democráticos. O plano é retomar esse diálogo com os militares e aprofundá-lo. Bolsonaro usa as Forças Armadas permanecer no poder".

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirma que a legenda deseja lembrar o investimento feito na modernização das Forças, com a aquisição de caças para a Aeronáutica. E chama a mudança do Bolsa Família para o Renda Brasil de “puro marketing”.

"O governo faz pequenas modificações no Bolsa Família e quer mudar o nome do programa. Querem transformar uma política de estado em uma política de governo. Já o PT sempre investiu nas Forças Armadas, com a aquisição de caças, por exemplo, para a Aeronáutica".

Cabo da Polícia Militar, o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) avalia que o PT fracassará na estratégia:

"Figuras históricas petistas invadiram quartéis nos anos 1960 e criaram grupos paramilitares para enfrentar o Exército e a polícia. A tropa nunca apoiará o PT".

Um aliado próximo de Bolsonaro sustenta que o debate sobre gratificações não chegou a provocar desgaste do governo, porque os militares “reconhecem o momento de dificuldade financeira” do país. Este interlocutor do presidente destaca que além da expansão de programas sociais foi feita uma auditoria para cortar gastos desnecessários.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários