Marco Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso no plenário do STF
José Cruz/Agência Brasil
Marco Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso se pronunciaram sobre saída de Moro do governo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso reagiram à demissão de Sergio Moro do minsitério da Justiça e ao seu discurso de despedida, realizado no fim da manhã desta sexta-feira (24). Marco Aurélio considerou a fala “seríssima” e Barroso afirmou que Moro foi "altivo e corajoso".

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Marco Aurélio Mello não quis comentar, porém, se há indício de que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime, porque acredita que o caso chegará ao tribunal. O ex-ministro da Justiça afirmou que Bolsonaro quis intervir nas atividades da Polícia Federal.

"Minha admiração apenas cresceu (em relação a Moro). O que ele revelou é seríssimo. Temos uma crise sanitária, uma crise econômica financeira e agora temos uma crise institucional. A Polícia Federal é uma polícia de Estados, e não de governo. Isso é fundamental para dizermos que vivemos em um Estado Democrático de Direito. Eu fico preocupado com a instabilidade. Aonde vamos parar? Tempos estranhos!", declarou.

Marco Aurélio lembrou ainda que, em 2017, proferiu palestra na Universidade de Coimbra, em Portugal, em que revelou preocupação com a tendência mundial de se eleger líderes populistas de direita. Na visão do ministro, esses líderes normalmente são totalitários.

"Eu revelei em 2017, na Universidade de Coimbra, o meu temor dessa tendência mundial de se eleger populista de direita, que normalmente é totalitário", disse.

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Luís Roberto Barroso participava de uma live da corretora XP Investimentos quando foi informado que Moro faria o seu pedido de demissão nos próximos instantes em Brasília. Ele disse que a saída de Moro revela "um certo arrefecimento do esforço de transformação do Brasil" no combate à corrupção com a Operação Lava Jato. O ministro ponderou, no entanto, que a sociedade não tolera mais a impunidade dos corruptos e que a história irá continuar independente de "A ou B".

"A Lava Jato passou a ser um espaço, no imaginário social brasileiro, de superação da velha ordem, em que era legítimo o desvio de dinheiro público. Significou uma mudança de paradigma. Havia uma cultura de desvio de dinheiro que nos atrasou na história. O juiz Sérgio Moro é um símbolo desse processo histórico e isso revela um arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil", disse.

Para Barroso, ainda com a saída de Moro, o Brasil já mudou e não aceitará desvios como os que ocorreram na Petrobras. O ministro ainda citou decisões do próprio Supremo que considera que "atrasaram" a Lava Jato, embora não tenha feito nenhuma citação específica. O ministro é uma das vozes críticas no tribunal ao entendimento que acabou com a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância .

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"Eu acho que o país já mudou. A despeito de decisões que eu discordo e de movimento políticos imediatos que discordo, esse gênio não vai voltar pra garrafa. Acabamos um pouco com aquele fetiche do corrupto rico que circulava na sociedade, como se isso fosse normal. De modo que qualquer coisa que enfraqueça esse processo histórico, eu acharei ruim. Mas claro que a história seguirá o seu curso, independente de A ou de B", afirmou Barroso.

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