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Segundo determinação da justiça de São Paulo, obras precisam ser realizadas com urgência, já que há risco de incêndio; parte do acervo continua no local

Justiça de São Paulo determina realização de obras emergenciais no Museu do Ipiranga nos próximos 15 dias
Rovena Rosa/Agência Brasil
Justiça de São Paulo determina realização de obras emergenciais no Museu do Ipiranga nos próximos 15 dias


A Justiça de São Paulo estipulou um prazo de 15 dias para que a Universidade de São Paulo (USP) e o governo do Estado façam obras emergenciais no Museu do Ipiranga, localizado na zona sul da capital.

Durante a decisão, o juiz Alberto Muñoz, 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, citou o caso da tragédia ocorrida como o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que ficou totalmente destruído em um incêndio no início mês de setembro, como exemplo. “Não se pode admitir que o Museu Paulista (também chamado de Museu do Ipiranga) seja mais um equipamento público que terminará, como o Museu Nacional do Rio de Janeiro, em cinzas", disse, já que sem a realização das obras emergenciais no Museu do Ipiranga , o local corre risco de incêndio.

De acordo com a decisão judicial, a USP, responsável pelo museu, tem 15 dias para fazer todas as reformas exigidas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Entre as medidas pedidas, estão somente obras referentes à manutenção do prédio, e não às de restauração.

Um laudo apresentado pelo Ministério Público (MP), que fez uma vistoria no local, constatou problemas como o não funcionamento do sistema de detecção de incêndios, detectores de fumaça removidos ou desligados, extintores com validade de carga vencida e alarmes de incêndio não instalados. O relatório do MP também afirmou ter encontrado pisos de madeira deteriorados e forros que estão correndo risco de desabar.

Todos esses problemas mostram grave risco de incêndio e podem facilitar o alastramento de um eventual fogo, que pode comprometer parte do acervo do museu que, segundo o Ministério Público, permanece no local mesmo após cinco anos de portas fechadas .

Entre as medidas que deverão ser adotadas pela USP , estão a ativação dos sistemas de detecção e alarme de incêndio, o aumento da quantidade de equipamentos paga combater o fogo e o desligamento da energia elétrica das áreas onde há condutores ou circuitos desprotegidos. A justiça também determinou a presença permanente de bombeiros civis no local.

Até o momento, a universidade não se pronunciou.

Obras emergenciais no Museu do Ipiranga foram pedidas após cinco anos da data de seu fechamento

Pedido de obras emergenciais no Museu do Ipiranga foi feito após a divulgação de um relatório do Ministério Publico, que constatou perigo de incêndio no local
Rovena Rosa/Agência Brasil
Pedido de obras emergenciais no Museu do Ipiranga foi feito após a divulgação de um relatório do Ministério Publico, que constatou perigo de incêndio no local


Alguns meses depois de comemorar 120 ano de fundação, o Museu do Ipiranga, o mais antigo da capital de São Paulo, fechou às portas às pressas em agosto de 2013. Um comunicado da diretoria do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (nome oficial do equipamento), afirmou, na época, que a decisão pelo fechamento, que foi tomada repentinamente, aconteceu depois de vistorias técnicas que mostraram a necessidade de uma reforma ampla "para garantir a incolumidade dos visitantes e servidores, bem como a proteção física do acervo."

A previsão de reabertura em 2014 não foi cumprida e, atualmente, o prazo estipulado para o retorno do funcionamento é 2022. A estimativa inicial do gasto de R$21 milhões já passou de R$100 milhões .

Enquanto as obras emergenciais no Museu do Ipiranga não são realizadas, e a restauração não acontece, o local, em parceria com o Google e a Wikipedia, está com todo o seu acervo disponível online . No dia 6 de setembro, o prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB), anunciou também uma ampliação do Parque da Independência, que envolve toda a área do museu.


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