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Após definições de PSDB, PSB, Novo e PP na véspera, outros quatro partidos devem anunciar decisões de apoiar Haddad ou Bolsonaro nesta quarta-feira

Partidos se reúnem em Brasília para definir alianças no 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)
Agência Brasil/Tânia Regô e Marcelo Camargo
Partidos se reúnem em Brasília para definir alianças no 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)

No terceiro dia após a definição do 1º turno e já a 18 dias da votação do segundo turno, cresce o número de partidos derrotados na eleição presidencial que devem decidir se apoiam o candidatod o PT, Fernando Haddad, ou o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Dessa forma, após a denifição de partidos importantes como PSDB, PSB, Novo, PP e PTB na véspera, nesta quarta-feira (10) outros partidos como PDT, MDB, PPS e a própria Rede fazem reuniões de seus diretórios e devem definir as alianças no 2º turno das eleições 2018.

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PDT de Ciro Gomes deve definir apoio à Haddad

MDB, PPS, Rede e PDT do ex-candidato à Presidência Ciro Gomes, devem se reunir nesta quarta-feira para anuniar alianças no 2º turno com Fernando Haddad (PT), Jair Bolsonaro (PSL) ou declarar neutralidade
Marcelo Camargo/Agência Brasil
MDB, PPS, Rede e PDT do ex-candidato à Presidência Ciro Gomes, devem se reunir nesta quarta-feira para anuniar alianças no 2º turno com Fernando Haddad (PT), Jair Bolsonaro (PSL) ou declarar neutralidade

O partido mais cobiçado para alianças no 2º turno  que deve se definir hoje (10) é o PDT. Terceiro colocado na eleição presidencial, Ciro Gomes obteve mais de 13,4 milhões de votos válidos (12,47%) que, se transferidos integralmente para o candidato de apoio, fariam com que Haddad se aproximasse consideravelmente do 1º colocado no 1º turno entrando, inclusive, num empate técnico considerando a margem de erro de uma eventual pesquisa de intenção de votos ou seriam mais do que suficientes para que Bolsonaro vencesse as eleições.

No entanto, a reunião do diretório nacional do PDT, marcada para essa quarta-feira (10) pelo presidente do partido, Carlos Lupi, além de servir para uma avaliação do desempenho do partido no 1º turno das eleições deverá apenas oficializar o apoio já sinalizado tanto pelo próprio Carlos Lupi quanto pelo ex-candidato Ciro Gomes ao candidato do PT, Fernando Haddad.

Isso porque no seu primeiro discurso após o anúncio do resultado do 1º turno, Ciro declarou em entrevista coletiva que "ele não" quando perguntado sobre possíveis alianças no 2º turno, em referência à campanha de oposição a Bolsonaro criada por mulheres nas redes sociais e que levou milhões de pessoas a ruas de centenas de cidades do País e de outros lugares do mundo no dia 29 de setembro.

Pouco tempo antes da declaração, ainda no domingo de eleições (7), conforme admitiram os candidatos, o próprio Fernando Haddad telefonou para Ciro Gomes para parabenizar pelo desempenho no 1º turno e deixar as portas abertas para possíveis alianças. Vale dizer que Ciro e Haddad chegaram a conversar sobre uma chapa única no começo do ano, opção que mais tarde foi descartada por outras lideranças do PT, mas a qual Ciro Gomes chegou a se referir como "dream team", o time dos sonhos.

Leia também: PSB, PSDB, Rede, DC e PPL devem anunciar hoje alianças no segundo turno

MDB de Henrique Meirelles está dividido e deve ficar neutro

MDB, do ex-candidato à Presidência Henrique Meirelles é mais que deve definir as alianças no 2º turno nessa quarta-feira (10)
José Cruz/Agência Brasil
MDB, do ex-candidato à Presidência Henrique Meirelles é mais que deve definir as alianças no 2º turno nessa quarta-feira (10)

Bem mais indefinida, no entanto, é a posição do MDB. Maior partido do País, o MDB deverá ter uma discussão acalorada entre lideranças que pensam bem diferente sobre as alianças no 2º turno que o partido deve fazer. Isso porque, enquanto o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, candidato à reeleição, anunciou o apoio do MDB Gaúcho a Bolsonaro, que conquistou 52,3% dos votos válidos no estado, o governador de Alagoas, Renan Filho, contou com o apoio do PT na sua reeleição ainda no 1º turno no estado do Nordeste.

Da mesma forma, outras lideranças como a do candidato derrotado ao governo de São Paulo, Paulo Skaff, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), também declararam apoio a Bolsonaro ainda no 1º turno, passando por cima da candidatura à Presidência do próprio partido de Henrique Meirelles que terminou, por sua vez, na sétima colocação da corrida preidencial com mais de 1,2 milhão dos votos válidos (1,2%).

No entanto, líderes nacionais da agremiação, como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e o senador reeleito Renan Calheiros (MDB-AL), são aliados de Haddad e devem usar sua influência para garantir o apoio do partido ao candidato petista ou pelo menos declarar neutralidade e liberar os diretórios estaduais para definirem suas posições de acordo com o contexto regional de cada um. O presidente da República, Michel Temer, por sua vez, deve ter pouca influência na decisão do partido e joga contra o interesse dos presidenciáveis de se aliar com o MDB já que tem uma taxa de rejeição baixíssima.

Leia também: FHC desmente apoio a Haddad e critica os dois presidenciáveis no segundo turno

Outros partidos também devem definir alianças no 2º turno hoje

Rede Sustentabilidade, da ex-candidata à Presidência, Marina Silva, não conseguiu definir na reunião de ontem quais alianças no 2º turno faria e decisão ficou para hoje (10)
Divulgação
Rede Sustentabilidade, da ex-candidata à Presidência, Marina Silva, não conseguiu definir na reunião de ontem quais alianças no 2º turno faria e decisão ficou para hoje (10)

O PPS é outro que também se reúne hoje para avaliar o seu desempenho no 1º turno e a posição em relação à disputa presidencial. O presidente nacional do partido, no entanto, deputado Roberto Freire (SP), defendeu antecipadamente que a legenda adote uma postura de neutralidade na disputa e, depois de concluído o processo eleitoral, faça uma oposição responsável ao vencedor.

Discurso não muito diferente é o da ex-candidata à Presidência, Marina Silva, principal liderança de seu partido, a Rede Sustentabilidade. O partido se reuniu ontem em Brasília, mas não conseguiu chegar a um consenso sobre que posição assumir no 2º turno entre Haddad e Bolsonaro. Depois de Marina já ter declarado que a Rede fará oposição ao eleito, seja ele quem for, a Rede deve se reunir novamente hoje e espera-se que agora o partido tome uma decisão oficial.

Já o PV, do candidato à vice na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge, também não se pronunciou ainda e deverá seguir os passos da própria Rede. Nos bastidores, inclusive, especula-se a possibilidade de um fusão entre o Partido Verde e a Rede Sustentabilidade já que este segundo é um dos 14 partidos que não atingiram os votos mínimos exigidos pela  nova regra da Cláusula de Barreira e deve ficar sem direito ao fundo e ao tempo gratuito de rádio e TV no período de 2019 a 2023.

Enquanto isso, o PSTU, da também ex-candidata à Presidência Vera Lúcia, está com reunião agendada para amanhã (11) e deve convocar a militância do aprtido para tomar uma decisão conjunta sobre o que fazer. No entanto, com críticas a Bolsonaro e a Haddad, o PSTU já anunciou que não fará alianças no 2º turno com nenhum dos dois candidatos.