A Suíça decidiu nesta terça-feira estender o congelamento de bens de oficiais sírios e incluiu na lista o presidente sírio, Bashar al-Assad, culpado por liderar uma brutal repressão contra os manifestantes que resultou na morte de centenas de opositores nas últimas semanas.
Foto de 30/04/2011 mostra presidente sírio, Bashar al-Assad, durante discurso ao Parlamento, em Damasco
Bancos suíços e outras instituições financeiras devem declarar o congelamento de quaisquer bens de Assad que estão na Suíça. O presidente sírio também é proibido de viajar à Suíça, de acordo com um decreto governamental.
A decisão das autoridades suíças segue o anúncio de sanções similatres contra 13 oficiais sírios, mas não incluíam Assad. A lista suíça de sanções revista, que agora contém 23 pessoas, descreve Assad como "presidente da república, comandante e líder da repressão contra manifestantes".
Na segunda-feira, depois dos Estados Unidos, a União Europeia (UE) também decidiu congelar os bens de Assad e impor uma proibição de visto, além de aumentar a pressão sobre o Irã, seu principal aliado regional.
A UE decidiu punir pessoalmente Assad pela violenta repressão de seu regime aos protestos populares que começaram em março. Segundo a ONU e organizações de defesa dos direitos humanos, ao menos 850 foram mortos pelas forças de segurança.
Os nomes de Assad e de mais dez autoridades sírias serão publicados no Diário Oficial do bloco europeu. Eles se unirão a uma primeira lista de 13 figuras importantes do regime sírio, incluindo um irmão e vários primos do presidente, objetos de sanção desde 10 de maio - quando a UE também decretou um embargo sobre a venda de armas e suspendeu a ajuda ao desenvolvimento da Síria.
A decisão foi fruto de um mês de complicadas discussões entre os 27 países da UE sobre a conveniência de punir Assad pessoalmente. "É o que precisamos fazer", disse em Bruxelas nesta segunda-feira o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague. O regime sírio "deve seguir o caminho das reformas, e não o da repressão", disse.
Entretanto, Bruxelas ainda não considera a adoção de sanções gerais contra a Síria. "Sou cético em relação a sanções gerais que afetem toda a população", declarou por sua vez o ministro checo das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg.
Os Estados Unidos haviam feito este mesmo movimento na quarta-feira, depois que o presidente Barack Obama disse em seu discurso sobre o Oriente Médio que Assad deveria escolher entre "liderar a transição e abandonar o poder".
Até esse momento, o Conselho de Segurança não reagiu oficialmente à situação síria por causa das reticências de Rússia e China, mas o chanceler francês, Alain Juppé, disse que uma maioria começou a se delinear no sentido de condenar o regime de Al-Assad.
A UE também adotou sanções contra o Irã, principal aliado regional de Damasco, num momento em que as negociações sobre o programa nuclear iraniano parece ter chegado a um beco sem saída.
*Com AP