Líder francês afirma que decisão britânica contra operação não afeta vontade de punir líder sírio por ataque químico

O presidente francês, François Hollande, disse nesta sexta-feira que a decisão do Parlamento britânico contra uma ação militar na Síria não afetará a vontade da França de punir o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, por um suposto ataque com armas químicas contra civis no dia 21.

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Reprodução de vídeo mostra membros da equipe de investigações da ONU coletando amostras em Zamalka, subúrbio de Damasco
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Em entrevista ao jornal Le Monde, Hollande disse que ainda defende uma ação punitiva "firme" em resposta ao ataque químico, que ele afirmou ter causado dano "irreparável" ao povo sírio, acrescentando que trabalhará de perto com os aliados da França.

Questionado se a França poderia tomar alguma atitude sem o Reino Unido, Hollande respondeu: "Sim. Cada país é soberano sobre participar ou não em uma operação. Isso é válido para o Reino Unido da mesma forma que para a França."

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O Parlamento britânico votou na quinta-feira contra uma ação militar na Síria, impondo um revés aos esforços liderados pelos EUA por uma punição a Damasco pelo aparente ataque da semana passada com gás venenoso.

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Primeiro ministro britânico, David Cameron, fala durante debate no Parlamento sobre Síria (29/8)
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Primeiro ministro britânico, David Cameron, fala durante debate no Parlamento sobre Síria (29/8)

Secretário da Defesa: EUA estão prontos para lançar ataque contra a Síria

Na quarta-feira, o Parlamento francês reúne-se, em sessão extraordinária, para um debate, sem votação, sobre a situação na Síria. Ao negar que tenha lançado o ataque, o governo sírio acusou os rebeldes de serem os autores da ação.

Hollande, que é, a partir de agora, o principal aliado dos EUA após a decisão britânica, excluiu a possibilidade de qualquer intervenção antes da saída dos inspetores da ONU, que investigam na Síria os supostos ataques. A missão da ONU deve deixar o país no sábado (31) e fazer de imediato um relatório oral ao secretário-geral da instituição, Ban Ki-moon.

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Nesta sexta, os inspetores visitaram um hospital militar em uma área de Damasco controlada pelo governo para encontrar soldados afetados pelo aparente ataque. Segundo a mídia do governo, os soldados foram expostos a gás venenoso no sábado em uma túnel usado por rebeldes em Jobar, um subúrbio de Damasco. 

A imprensa oficial disse que alguns soldados inalaram fumaça depois de encontrar agentes químicos em um túnel que tinha sido usado por insurgentes.

Hollande disse não ser "favorável a uma intervenção internacional para 'libertar' a Síria ou derrubar o ditador". Acrescentou, no entanto, que "se deve travar um regime que comete atos irreparáveis contra a população".

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O secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, disse que os EUA continuarão a buscar uma coalizão internacional para agir em conjunto sobre a Síria. "É o objetivo do presidente Obama e do nosso governo... qualquer decisão que seja tomada, que seja uma colaboração e esforço internacionais", disse durante viagem às Filipinas.

Reação da Rússia e da China

Yuri Ushakov, o assessor para política externa do presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta que a recusa do Parlamento britânico em autorizar um potencial ataque mostra um entendimento cada vez maior sobre os riscos de uma intervenção militar no conflito. 

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"Pessoas começam a entender como são perigosos esses cenários", disse. Ele afirmou acreditar que a votação de quinta refletia a opinião da Europa como um todo, e não só do Reino Unido. A Rússia é um forte aliado da Síria e de forma consistente usou, juntamente com a China, seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para barrar punições contra o regime sírio .

A China, por sua vez, afirmou nesta sexta que o Conselho de Segurança não deve ser pressionado a tomar qualquer decisão sobre a Síria antes das conclusões dos inspetores de armas.

*Com Reuters e Agência Brasil

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