Planalto se alia ao PT para dar freio no PSB do Nordeste

Objetivo é evitar que governador de Pernambuco, Eduardo Campos, capitalize medidas do governo federal

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Palácio do Planalto
Campos, Dilma e Fernando Bezerra
O Palácio do Planalto passou a estudar a dedo o impacto político de medidas e nomeações do governo federal no Nordeste a fim de evitar que o PSB seja o principal partido beneficiado. Dos três Estados mais importantes da região, dois são comandos por socialistas (Ceará e Pernambuco) e um pelo PT (Bahia).

“Existe uma disputa por hegemonia entre o PT e o PSB no Nordeste”, reconhece um líder no Senado com trânsito no Planalto. Respectivamente, em Pernambuco e no Ceará, Eduardo Campos e Cid Gomes, do PSB, estão em segundo mandato. Governador na Bahia pela segunda vez, Jaques Wagner é o contraponto do PT.

Na avaliação de palacianos, também por ser presidente do nacional do PSB, Campos tem capitalizado mais iniciativas do governo federal no Nordeste do que integrantes do PT. A luz amarela do Planalto acendeu, sobretudo, depois que Campos fez uma aliança com o prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Com o seu PSD, Kassab amealhou deputados em todos os partidos ( detalhe: menos no PSB) e tem a quarta maior bancada da Câmara. Para o futuro, não é descartada uma fusão entre o PSD e o PSB. “Com Kassab, Campos ganhou um braço no Sudeste para seu projeto de chegar ao comando do Palácio do Planalto, que pode ser em 2014 ou 2018”, avalia um governista.

A operação de dar um basta no avanço de Campos tem o aval da presidenta Dilma Rousseff . Alguns petistas culpam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crescimento de Campos. “O Lula deu muita corda para o Eduardo. Agora a Dilma vai ter de dar um freio”, afirmou um deputado petista da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).

Agência Brasil/Wilson Dias
Ana Arraes, mãe de Campos, comemora vitória no plenário da Câmara
A vitória da mãe

O maior exemplo foi a eleição da deputada Ana Arraes (PSB-PE), mãe de Campos, como ministra do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar da presença de Aldo Rebelo, seu ex-ministro de Articulação Política, Lula declarou voto em Ana Arraes. A maioria do PT paulista, porém, votou no deputado comunista, que hoje é ministro do Esporte.

Ainda no ano passado, Dilma retardou ao máximo a nomeação de indicados do PSB em cargos de estatais no Nordeste. Em dezembro, saiu finalmente a nomeação de João Bosco de Almeida para a presidência da Companhia Hidro Elétrica do Nordeste (Chesf). A presidenta também não postergou a reestruturação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste.

Apesar do “freio” de Dilma, petistas têm se preocupado em não transformar Campos em adversário. “No fundo, no fundo existe uma disputa, mas ela é natural. Afinal de contas, os oito anos de governo Lula acabaram com as oligarquias, com o jeito antigo de fazer política. E o PT e o PSB se fortaleceram”, afirma o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE).

A preocupação é com 2014, mas já em 2012 a disputa entre socialistas e petistas poderá ocorrer. Em Fortaleza, ainda não há acordo entre a prefeita Luizianne Lins e o governador cearense Cid Gomes (PSB) lançarem um candidato único.

Em Recife, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), ainda é opção para concorrer contra a reeleição do prefeito João da Costa (PT), cuja candidatura é questionada ainda dentro do seu próprio partido.

Costa enfrenta a concorrência do ex-prefeito João Paulo (PT). Outra opção é o senador Humberto Costa (PT-PE). Deputado federal licenciado e secretário de governo do Estado de Pernambuco, Maurício Rands.

Na semana passada, o Planalto tentou demonstrar solidariedade em meio à crise envolvendo Fernando Coelho, acusado de prestigiar parentes e aliados políticos com verbas da Integração. No entanto, durante a sessão do Congresso na qual foi ouvido, o PMDB saiu mais em defesa de Coelho do que o PT.

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