PDT comandava ONG sob suspeita no Ministério do Trabalho

Metade da direção da Confederação Nacional dos Evangélicos é ligada ao PDT, partido que chefia o Ministério do Trabalho há 4 anos

Severino Motta e Adriano Ceolin, iG Brasília |

A ONG que recebeu R$ 3,3 milhões do Ministério do Trabalho num convênio suspeito de irregularidades , conforme o iG revelou na semana passada, é dirigida por pessoas ligadas ao PDT - partido que comanda a pasta há quatro anos.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três das seis pessoas identificadas como dirigentes da Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae) têm ou já tiveram algum vínculo com a sigla trabalhista.

O atual presidente da ONG, Hélio César de Araújo Júnior, filiou-se ao PDT de Goiás em 29 de setembro último. A situação de Araújo, no entanto, encontra-se sub-júdice porque ele também aparece filiado ao PTB goiano.

O diretor de Educação da Conae, Argemiro Batista, é filiado ao diretório municipal do PDT de Santo Antônio do Descoberto (GO) desde 2008. Outro integrante da direção da Conae, pastor Elzimar da Silva Santos, tesoureiro da ONG, filiou-se ao partido em outubro de 2007, dois meses antes da assinatura do convênio com o Ministério do Trabalho.

Ele seguiu filiado ao PDT durante toda a execução do convênio de R$ 3,3 milhões, destinado à qualificação profissional de jovens para o mercado de trabalho. Um ano depois do final da vigência do convênio, em 2009, ele deixou a sigla.

Apesar da proximidade da Conae com o PDT, o presidente da entidade, Hélio César, negou qualquer tipo de influência do partido na liberação dos recursos. “Ninguém ajuda. Você apresenta projeto e concorre com todo mundo, é processo de concorrência, não há ajuda, não pode ajudar, não é legal nem legítimo”, disse.

Ele também disse que não é próximo ao então secretário de Políticas Públicas de Emprego e ex-presidente do PDT de Brasília, Ezequiel Nascimento, responsável por conceder um aditivo ao convênio da ONG com o ministério.

“Minha relação com ele (Ezequiel) é de alguém que era do ministério na época (do convênio) e alguém que a gente participou de alguns seminários. Ele passou como era a execução do projeto e visitou a entidade para acompanhar a execução”, disse.

A reportagem conversou com Ezequiel na última quinta-feira. Ele também negou qualquer tipo de irregularidade e disse que só encontrou os evangélicos da Conae durante reuniões das campanhas de Agnelo Queiroz – atual governador do Distrito Federal - e do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

“Aqui em Brasília, durante a campanha do Agnelo, eu participei de eventos em que eles ( os diretores da Conae ) também estavam. Na campanha, do senador Cristovam, do Agnelo”, disse.

A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho enviou um e-mail ao iG informando que o ministro Carlos Lupi não conhece os diretores da Conae e que a decisão de dar um aditivo ao convênio não passou por seu gabinete. “Ele ( ministro ) não determina este tipo de coisa”.

Por fim, ressaltou que foram encontradas possíveis irregularidades na prestação de contas do convênio com a Conae, e que uma tomada de contas especial foi determinada pela pasta. A entidade enviou documentos para fazer sua defesa junto ao ministério, que ainda não deu um parecer final sobre a prestação mas já marcou a entidade como “inadimplente” no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

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