Programa que virou bandeira da presidenta dá vitrine a grandes projetos, mas ainda amarga falhas, atrasos e aumento nos gastos

Em 28 de janeiro de 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunia aliados em uma cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar um novo plano de investimentos, baseado na promessa de alavancar o crescimento econômico no País. Embrião do que viria a ser a primeira bandeira gerencial da hoje presidenta Dilma Rousseff , o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi reestruturado ano a ano, incorporou ações e investimentos da gestão petista, alimentou promessas de campanha em todas as esferas de governo e hoje desponta como aposta da administração federal para deixar para trás a agenda negativa que marcou o ano de 2011.

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Lançado com pompa por Lula em janeiro de 2007, PAC passou por reformulações ano a ano e hoje tem contorno bem diferente do original
AE
Lançado com pompa por Lula em janeiro de 2007, PAC passou por reformulações ano a ano e hoje tem contorno bem diferente do original

Especialistas enxergam com desconfiança a tese de que o PAC está de fato na origem do crescimento econômico brasileiro . Mesmo assim, o governo investe na promessa de que esses investimentos serão a chave para assegurar o avanço do PIB em 2012. Nessa linha, Dilma já avisou a auxiliares que pretende mexer o mínimo possível em ações estratégicas do PAC este ano, mesmo diante da perspectiva de novos cortes no Orçamento e de um aperto fiscal para blindar o País da crise.

Na prática, o PAC nascido cinco anos atrás pelas mãos de Lula pouco tem a ver com a atual versão . Algumas ações foram dividas em duas ou mais. Outras, agrupadas. Programas sociais inteiros, como o Minha Casa, Minha Vida, foram agregados ao projeto. Na essência do programa, no entanto, permanece uma lista de grandes obras, desenhadas com a promessa de suprir os grandes gargalos de infraestrutura do País e viabilizar o desenvolvimento.

Nas últimas semanas, o iG varreu os números do PAC desde sua criação e avaliou de perto alguns projetos estratégicos, com o objetivo de medir os resultados do programa. Os dados evidenciam atrasos nos prazos de execução e aumentos nos gastos como marca de muitas das obras de grande porte. Por outro lado, ficam visíveis também os avanços obtidos em algumas esferas desde o anúncio das primeiras iniciativas inseridas sob o guarda-chuva do PAC.

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Na obra onde Dilma ganhou em 2008 o apelido de “mãe do PAC” , a revitalização do complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, o programa mudou a cara da comunidade local. Dos investimentos que já ultrapassam R$ 800 milhões, nasceram ruas bem cuidadas, o teleférico transformado em atração turística e equipamentos de integração social que emergem em meio ao amontoado de barracos. No entanto, um ano e meio após o prazo previsto inicialmente para finalização do projeto, parte das obras segue inacabada, com problemas de execução ou operando de forma precária.


Com a decisão do governo de incorporar ao PAC o Minha Casa Minha Vida – outra bandeira de campanha de Dilma –, a política habitacional do governo ganhou papel de destaque no programa. Não faltam relatos de beneficiários satisfeitos, mas nem todos engrossam o coro a favor do governo. No Alemão, moradores que tiveram suas casas desapropriadas para a construção do teleférico até hoje esperam para receber o aluguel social que deveria ter sido pago durante a obra. Entre os que receberam imóveis do programa, há ainda quem simplesmente não consiga arcar com os custos. A saída acaba sendo vender o apartamento, antes mesmo de concluído o prazo de cinco anos para a transferência da propriedade .

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Independentemente dos problemas, o PAC tende a permear os discursos e promessas de candidatos pelo País afora, interessados em uma das vagas que vão se abrir na eleição municipal deste ano. Dentro da base de apoio ao governo Dilma, políticos reconhecem o uso eleitoral das obras do programa. Avaliam que este é apenas um processo natural de capitalização dos sucessos acumulados pelo governo no decorrer dos últimos cinco anos.

*Com Ilton Caldeira, Fred Raposo, Danilo Fariello, Nara Alves, Raphael Gomide e Ricardo Galhardo

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