Ministro do Esporte defende "mais Estado" como antídoto para ONGs

Em entrevista em vídeo ao iG, Aldo Rebelo diz não guardar mágoas do presidente da CBF e aposta que obras da Copa não vão atrasar

Tales Faria e Ana Paula Leitão, iG Brasília |

Após denúncias de corrupção que levaram à queda do antecessor Orlando Silva, o novo ministro Aldo Rebelo (PCdoB-SP) assume o Ministério dos Esportes com a promessa de fazer uma gestão diferente.

O comunista – que tomou posse na última segunda-feira – diz que a pasta manterá sua autonomia, mas admite que a presidenta Dilma Rousseff controla decisões. “Qualquer executivo, presidente da República, ou do Brasil, ou da França, ou de uma empresa privada, ou do jornal de uma TV, tem que centralizar certas decisões, tem que controlar”, afirmou.

Em entrevista exclusiva ao iG , Aldo Rebelo revela um perfil multifacetado. O ministro guarda em seu novo gabinete imagens que vão desde Padre Cícero e Mao Tsé-Tung até o candomblé e José Bonifácio de Andrada.

“Sou crismado. Fui criado por uma mãe católica, que me levava para a missa todo domingo pela manhã”, explica.

Para evitar fraudes e garantir a continuidade na prestação de serviços, o novo ministro promete reduzir convênios com organizações não-governamentais em programas como o Segundo Tempo, e aumentar contratos com entes públicos.

“A concepção do Segundo Tempo não muda, o que pode e deve mudar agora é a execução”.

A saída, para ele, é recorrer a estruturas como prefeituras, governos de estados, universidades, unidades militares e escolas de educação física para a prestação dos serviços antes oferecidos pelas ONGs.

“Uma ONG pode existir hoje, e amanhã pode não existir mais. Uma faculdade de educação física não, ela tem sentido de continuidade, de permanência”.

Quando presidente da CPI que investigou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Aldo apontou várias fraudes e disse que foi censurado.

“Evidente que a CPI incomodou”, declara. Por outro lado, garante que não usou a comissão de inquérito “como instrumento de perseguição” e que não guarda ressentimentos do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

“A minha obrigação institucional é tratar com a CBF num ambiente de cooperação e independência”

Sobre os gastos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, o comunista promete transparência, e diz já ter conversado com ministros do Tribunal de Contas da União e com o ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage .

Rebelo se mostrou ainda otimista com o andamento das obras. “Eu tenho confiança que vamos concluir antes do prazo definitivo”, afirmou, com base no Maracanã, construído em 1949 para a Copa do Mundo de 50.

“Fizemos o Maracanã, o maior estádio do mundo, num período muito rápido. A engenharia avançou muito de lá para cá, a brasileira inclusive”, argumentou.

Apesar de ter assumido o controle do Esporte, por indicação do PCdoB onde milita há mais de 30 anos, como ele mesmo gosta de frisar, Aldo afirmou que continuará brigando para aprovar o projeto do novo Código Florestal Brasileiro, do qual foi relator na Câmara.

Para ele, o comunismo tem tudo a ver com o conservadorismo do setor ruralista: “Um ambientalista de classe média não tem obrigação de pensar quanto custa um quilo de carne ou um quilo de feijão. Um comunista tem”.

Quanto ao desempenho do Brasil nos jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, Rebelo diz que o país tem evoluído, mas precisa investir mais no esporte educacional para preparação de novos atletas.

E completou que tanto as Olimpíadas quanto a Copa que serão realizadas no Brasil vão deixar um legado imaterial, de conscientização sobre a importância do esporte, e também para a infraestrutura e mobilidade social do país.

“Não são apenas estádios para a Copa, são centros de convenções, como o do Corinthians e o do Palmeiras. Ou mesmo o Morumbi, se for reformado. São teatros gigantes”.

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