Marcha contra corrupção em Brasí­lia reúne 20 mil pessoas

A estimativa é da Polícia Militar. No começo da passeata, havia 4 mil manifestantes. Há protestos marcados em 17 estados

Ana Paula Leitão, iG Brasília |

Agência Estado
Esplanada dos Ministérios: protesto exige fim do voto secreto no Congresso
A II Marcha Contra a Corrupção em Brasília conseguiu reunir o público esperado pelos organizadores. A estimativa da Polícia Militar é que 20 mil pessoas participaram do evento, que terminou perto das 13h. A caminhada começou por volta das 11h, na praça entre o Museu da República e a Biblioteca Nacional, com cerca de 4 mil pessoas. O número era bem inferior aos 30 mil que participaram da primeira edição do evento, no dia 7 de setembro . Aos poucos, porém, as pessoas chegaram à Esplanada dos Ministérios.

Os manifestantes, que se organizaram por meio de redes sociais, pedem a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, que ainda será votada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o fim do voto secreto parlamentar e a continuidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os protestos ocorrerão ao longo do dia em pelo menos 28 cidades brasileiras espalhadas por 17 estados.

Símbolos do movimento que pede a limpeza na política, vassouras nas cores verde e amarelo foram distribuídas pelo Movimento Contra a Corrupção para os presentes e recolhidas ao final da manifestação. Um grupo de jovens aproveitou para vender as vassouras durante o evento, sob a justificativa de que o movimento precisava de uma “contribuição”.

Ophir Cavalcante, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comentou antes do início do evento que esse era um movimento que lutava contra “políticos de rabo preso”. Ele lembrou que a missão dos advogados é “lutar pela liberdade e pela independência”, justificando o apoio da Ordem à manifestação. “Eu desafio a existência de uma entidade dos magistrados e do Ministério Público que defenda um CNJ forte”, ressaltou.

A concentração para o início da passeata foi feita ao som de músicas como “Que país é esse?”, da banda Legião Urbana, e de Chico Buarque. Entre as palavras proferidas pelos organizadores, convocações para que os participantes se sentissem os “novos caras pintadas”, que marcaram a década de 1990 pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor.

Ocupando todas as seis faixas da Esplanada que levam à Praça dos Três Poderes – a polícia havia reservado três, mas os manifestantes invadiram as outras – a Marcha seguiu rumo ao STF. Com a bandeira do Brasil à frente do movimento, o grupo parou em frente ao Congresso Nacional e cantou o Hino Nacional. Depois, seguiu para a Praça dos Três Poderes, onde finalizou a manifestação, cantando pela segunda vez o hino brasileiro.

O advogado Osvaldo Gomes, de 68 anos, fez questão de participar do protesto até o final. O paranaense, que veio para Brasília no início da década de 1960, conta que foi do primeiro batalhão da guarda policial da capital federal e que sempre esteve nas “batalhas políticas”. “Eu lembro quando, na ditadura, o sistema quis invadir a OAB e nós abraçamos o prédio e impedimos. Muitos que estavam naquele dia lá estão hoje aqui, nessa manifestação contra a corrupção”, disse orgulhoso.

Fernando Toledo, de 48 anos, não só participou da marcha como trouxe seu filho Henrique, de 6 anos, que carregou a vassoura verde e amarela até o fim do evento. “Trouxe meu filho hoje porque acho importante despertar o patriotismo desde cedo”, argumentou. Já o empresário André Luiz dos Santos, de 50 anos, veio de Minas Gerais para protestar contra a corrupção em Brasília. Luiz percorreu toda a marcha com uma cruz nas costas. “Essa é a cruz do povo brasileiro, que carregamos há muito tempo. A corrupção é a maior violência”, disse.

Cerca de 300 policiais militares do Distrito Federal acompanharam o evento para garantir a segurança no local. Não houve incidentes.

Sem partido

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) apóiam o movimento junto com outros que mantém atividades contra a corrupção, como o Nas Ruas. Os organizadores fazem questão de frisar que a marcha é apartidária e, por isso, políticos só devem aparecer sem bandeiras do partido.

O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) seguiu os conselhos à risca e participa da marcha. Descaracterizado. “Aqui, nada de bandeira de partido, nada de broche. Vou até colocar óculos escuros para ninguém me reconhecer como senador”, brincou. “Esse é um movimento de jovens, rebelde e politizado, não partidarizado”, afirmou.

Confira a programação em outros estados.

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