Lupi: "Para me tirar tem de ser bala forte, pois sou pesadão"

Ministro do Trabalho usa argumento da "chamada pública" de ONGs para se defender convênios suspeitos

Severino Motta e Adriano Ceolin, iG Brasília | 08/11/2011 16:11

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Foto: AE Ampliar

Lupi diz que fica no cargo de ministro

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta terça-feira que não pode se responsabilizar por convênios com suspeitas de irregularidades ou com desvios de recursos uma vez que existe a “chamada pública” para a realização de parcerias com Organizações Não-Governamentais (ONGs). Para ele, as denúncias contra a pasta são inverídicas e somente uma “bala forte” pode resultar em demissão.

“Para me tirar (do ministério) só abatido à bala. E tem que ser bala forte, pois sou pesadão”, disse, em entrevista na sede do PDT em Brasília. “Para todas as ONGs (que fecham convênios, nós) fazemos a chamada pública”, completou Lupi, que antes teve uma reunião com bancada do partido na Câmara.

Essa chamada pública permite que qualquer ONG possa se candidatar a um convênio, sendo o mesmo fechado com aquela que o ministério entender que reúne as melhores condições para realizar o trabalho.

O iG tem revelado desde o dia 26 que ONGs ligadas ao PDT são suspeitas de desvio de recursos em convênios firmados com o Ministério do Trabalho. Na série de reportagens há depoimentos de uma testemunha, dono de uma empresa de fachada, afirmando ter levado dinheiro para representantes de entidades dirigidas por trabalhistas.

O iG também revelou que a mulher ex-assessor especial do gabinete de Lupi e atual coordenador de Convênios da pasta, Manoel Eugênio Guimarães de Oliveira, foi empregada na Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae), uma ONG que recebeu R$ 3,1 milhões do Ministério e é suspeita de desvio de recursos.

Sobre o tema, Lupi alegou desconhecimento sobre as relações do servidor. “Não sei se é esposa dele”, afirmou.

O ministro disse ainda que conta com o apoio da presidenta Dilma Rousseff e desafiou a imprensa a encontrar qualquer exemplo de corrupção que envolva seu nome. "Não tenho dúvida do apoio, a presidenta me conhece há 30 anos, não são há 30 dias. E nem essas acusações levianas em nenhum momento falam do meu nome, pois nem no anonimato as pessoas tem a ousadia e coragem".

Por fim, disse que vai processar a revista Veja, que publicou reportagem dando conta de um esquema de cobrança de propina de ONGs por servidores do ministério.

Liderança

O líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), disse que o partido está coeso no apoio a Lupi e que sua saída do Ministério do Trabalho também seria a saída do partido. "Se sair o Lupi, sai o PDT, se necessário, do governo".

Nos bastidores, porém, um grupo de oito dos 26 deputados são contra a permanência de Lupi. O maior advesário do ministro é o deputado Brizola Neto (PDT-RJ). Ele almeja retomar o comando

Carta para defesa

Para subsidiar sua defesa, Lupi  mandou distribuir à imprensa uma carta enviada pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Giles Azevedo à revista Veja.

Na carta endereçada, Giles admite que faz parte de suas funções receber parlamentares que reivindiquem uma audiência com a presidente Dilma Rousseff. No entanto, ele alega que jamais ouviu "de deputados do PDT, ou de qualquer outro partido" relatos sobre irregularidades no Ministério do Trabalho.

*Com informações da Agência Estado

 

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