Deputado de SP envolve colega em caso de venda de emendas

Roque Barbiere, que disse haver venda de emendas na Assembleia Legislativa, envolveu o pastor Dilmo dos Santos (PV) no caso

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

AE
O deputado Roque Barbiere (PTB-SP)
Quando tudo caminhava para o sepultamento das apurações sobre a venda de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Roque Barbiere (PTB), o Roquinho, usou a tribuna, terça-feira à noite, para levantar suspeitas contra o deputado Pastor Dilmo dos Santos (PV).

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Em pronunciamento feito no apagar das luzes na sessão de terça-feira, Barbiere, autor das primeiras denúncias de venda de emendas na Alesp, tomou a palavra para se defender do deputado Carlos Gianazi (Psol), que ameaçava pedir a abertura de um processo por quebra de decoro contra o petebista caso ele não apresentasse nomes de parlamentares envolvidos no suposto esquema.

No Ministério Público, que pode quebrar o sigilo telefônico, o sigilo fiscal, o sigilo bancário, que tem muito mais espírito de punibilidade que o nosso, são treinados e formados para isso, lá sim vou dar alguns nomes para que sejam aferidos. Lá, sim, vou levar testemunhas. Lá, sim, alguns deputados que se utilizaram do expediente de venda de emendas, e vou comprovar isso ao final dessa história, serão penalizados”

Barbiere disse assumir a informação de que Dilmo direcionou sete emendas que somam R$ 1 milhão para construção de barracões em cidades da região de Birigui, berço eleitoral de Roquinho. Segundo Barbiere, as emendas só foram direcionadas para a região porque o valor dos barracões é de R$ 150 mil e, portanto, dispensa concorrência para a escolha das empresas, que são definidas por carta-convite.

“Essa já assumo. O membro do Conselho de Ética José Dilmo mandou para a minha região sete emendas para fazer barracões, todas de R$ 150 mil, para caracterizar a carta-convite. Logicamente, só foi por isso. A imprensa, não foi o deputado Roque Barbiere, foi a Lourdes entrevistar o Prefeito Franklin (Querino, do DEM). Perguntaram para que serviria o barracão. Ele disse que não sabia. Foram entrevistar o João, Presidente da Câmara. Ele também disse que não sabia. O que significa? Que esse prefeito não correu atrás desta verba, ela foi oferecida a ele por alguém. Coincidentemente, as três cartas-convites e foram apresentadas pelo mesmo engenheiro. Isso é normal? Não é normal, mas não é disso que estou dizendo”, afirmou Barbiere.

No plenário, o deputado disse que só apresentará provas ao Ministério Público. “Lá, no Ministério Público, que pode quebrar o sigilo telefônico, o sigilo fiscal, o sigilo bancário, que tem muito mais espírito de punibilidade que o nosso, são treinados e formados para isso, lá sim vou dar alguns nomes para que sejam aferidos. Lá, sim, vou levar testemunhas. Lá, sim, alguns deputados que se utilizaram do expediente de venda de emendas, e vou comprovar isso ao final dessa história, serão penalizados”, afirmou.

Dilmo, que chegou a participar da sessão de hoje do Conselho de Ética que apura a venda de emendas, disse desconhecer o teor das afirmações de Roquinho. O líder do PTB (e da tropa de choque governista na Alesp), Campos Machado, tentou minimizar o teor das afirmações publicadas inicialmente no “Diário Oficial”.

Segundo Machado, Roquinho teria telefonado de manhã para desmentir as declarações e se desculpar com Dilmo. A assessoria de Barbiere negou que o deputado tenha se retratado. As afirmações foram publicadas pelo “Diário Oficial” desta terça-feira. A Alesp demorou todo o dia para liberar as cópias taquigráficas do pronunciamento.

Enquanto isso, os líderes governistas na Alesp se esforçavam para enterrar as investigações no Conselho de Ética. A sessão do conselho estava prevista para quinta-feira, mas o presidente, Hélio Nishimoto (PSDB), adiantou em um dia. Segundo o PT, foi uma manobra para evitar uma manifestação pela instalação de uma CPI da venda de emendas programada para quinta-feira.

Durante a sessão, Campos Machado pediu que a ordem de votações fosse invertida de forma que um requerimento de autoria dele próprio fosse apreciado rapidamente.O requerimento pede que o Conselho de Ética encerre os trabalhos imediatamente e envie todo o material levantado ao Ministério Público sem elaborar nem mesmo um relatório ou ouvir uma testemunha (todos os pedidos de oitivas foram barrados pelos governistas). A sessão foi interrompida no final da tarde e retomada no início da noite de quatra-feira.

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