Juiz deu cinco dias para defesa do ex-presidente entregar originais de recibos; após o prazo, Moro deve decidir se cobra realização de perícia

Recibos do pagamento de aluguel apresentados pela defesa de Lula têm sido alvos de questionamentos
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Recibos do pagamento de aluguel apresentados pela defesa de Lula têm sido alvos de questionamentos

O juiz federal Sérgio Moro cobrou que a defesa do  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "esclareça expressamente" se possui os originais dos recibos de pagamento de aluguel do apartamento locado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Os documentos foram entregues no fim do mês passado pela defesa do ex-presidente no âmbito de ação penal da Lava Jato que apura supostas vantagens indevidas pagas pela Odebrecht.

Moro decidiu na tarde desta segunda-feira (9) que irá aguardar até cinco dias para  Lula  se manifestar sobre a existência dos recibos originais. Só depois o juiz deverá decidir sobre a realização de perícia pedida pelo Ministério Público Federal em incidente de falsidade apresentado à Justiça na semana passada .

"Intime-se a defesa de Luiz Inácio Lula do presente incidente, para manifestação em cinco dias e igualmente para esclarecer se tem provas a requerer quanto ao incidente. Deverá esclarecer expressamente se dispõe dos originais dos recibos e, se positivo, depositá-los em secretaria", escreveu o magistrado em seu despacho.

Na última sexta-feira (6), a força-tarefa de procuradores da Lava Jato cobrou a realização de perícia alegando que os recibos entregues pela defesa do petista são "ideologicamente falsos".

Os procuradores justificaram as suspeitas alegando que o dono do imóvel, o empresário Glaucos da Costamarques, afirmou que estava internado no Hospital Sírio-Libanês , em São Paulo, quando foi instado a assinar os documentos de uma vez só. O MPF também afirmou que "não há fluxo financeiro em favor de Glaucos" que seja compatível com o recebimento de aluguel e que o próprio empresário admitiu em depoimento a Moro que só passou a receber pela locação do apartamento à ex-primeira-dama Marisa Letícia em dezembro de 2015.

Além de pedir a realização de perícias para "verificar se houve adulterações e/ou montagens desses recibos", a Procuradoria também solicitou a oitiva do contador João Muniz Leite, apontado pelo dono do apartamento como o responsável por levar os recibos a ele no Hospital Sírio-Libanês.

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Defesa

Em nota divulgada na semana passada, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que os recibos são "idôneos". "A realização de perícia nos recibos irá demonstrar que eles são idôneos e que foram assinados pelo proprietário do imóvel, dando quitação dos aluguéis à D. Marisa, que contratou a locação."  

Os advogados do ex-presidente também voltaram a criticar a atuação do MPF, acusado de usar "tática ilusionista". "O questionamento do MPF é uma tática ilusionista de quem não conseguiu provar que valores provenientes de contratos da Petrobras beneficiaram o ex-Presidente Lula."

O uso do apartamento nº 121 do residencial Hill House, em São Bernardo do Campo, é alvo de ação penal da Lava Jato. O MPF alega que, assim como terreno comprado para sediar o Instituto Lula, o imóvel no ABC Paulista foi oferecido ao ex-presidente como contrapartida paga pela Odebrecht em troca da atuação do ex-ministro Antonio Palocci a favor da empreiteira.

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