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Juiz atendeu a pedido do dono de apartamento alugado por Marisa Letícia e deu prazo de cinco dias para Sírio-Libanês enviar registro de visitas; Glaucos alega que estava internado quando foi instado a assinar recibos de aluguéis

Primo de Bumlai, Glaucos Costamarques firmou contrato de aluguel com Marisa Letícia, ex-mulher de Lula
Reprodução/JFPR
Primo de Bumlai, Glaucos Costamarques firmou contrato de aluguel com Marisa Letícia, ex-mulher de Lula

O juiz Sérgio Moro atendeu nesta segunda-feira (2) a pedido do empresário Glaucos da Costamarques , dono do apartamento alugado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia em São Bernardo do Campo – cujos recibos de pagamento do aluguel despertaram suspeitas após serem apresentados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.

Sérgio Moro pediu que o Hospital Sírio-Libanês transmita à Justiça os registros de visitas feitas a Glaucos, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, no período em que ele estava internado, no fim de 2015.

Glaucos alegou na semana passada que  estava internado no hospital em dezembro de 2015, quando foi instado a assinar os recibos de quitação do aluguel do apartamento no ABC Paulista. Segundo o empresário, ele foi visitado no leito do hospital pelo advogado Roberto Teixeira, amigo pessoal de Lula, e por um contador enviado a mando de Teixeira. 

"O pagamento de alugueres, esclareça-se, só começou a ocorrer após visita do dr. Roberto Teixeira ao defendente [Glaucos], quando este estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Glaucos se submeteria a intervenção cardiovascular. Foi nesta visita que o referido advogado informou-o de que os alugueres passariam a ser pagos regularmente", explicou a defesa do empresário em petição apresentada na noite dessa quinta-feira (28).

Os advogados de Glaucos afirmam que o investigado só adquiriu o imóvel, que é vizinho ao apartamento onde Lula mora, após pedido de seu primo, o pecuarista e amigo do ex-presidente José Carlos Bumlai.

"Como razão primordial, [Bumlai] informou a Glaucos que precisava atender a um pedido da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva, preocupada com o fato de alguém poder interessar-se pelo imóvel, que era localizado no mesmo andar, e em frente, ao apartamento que servia de residência ao expresidente e sua esposa, cuja privacidade poderia ser comprometida", relembra a defesa.

A defesa de Lula diz que há "tentativa de transformar os recibos no foco principal da ação" , uma vez que "nem o Ministério Público nem o juízo encontraram qualquer materialidade para sustentar as descabidas acusações".

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Recibos da discórida

A desconfiança acerca dos recibos de aluguel ganhou força na terça-feira passada (26), após reportagens apontarem erros nos documentos apresentados pela defesa de Lula. Dois dos recibos entregues a Moro contêm datas inexistentes no calendário . A defesa de Lula alega que a responsabilidade sobre os documentos é do proprietário do imóvel, e não de quem o alugou.

Glaucos, Lula e Roberto Teixeira são réus em ação penal da Operação Lava Jato que apura se a compra do apartamento em São Bernardo do Campo seria vantagem indevida ao ex-presidente paga pela Odebrecht como contrapartida pela atuação do ex-ministro Antonio Palocci a favor da empresa. A mesma ação penal investiga também a compra de um terreno para instalação da sede do Instituto Lula na zona sul de São Paulo.

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, deu prazo de cinco dias para encaminhar as informações sobre as visitas recebidas por Glaucos no período em que ele permaneceu internado no local.

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