Janot espera receber delação premiada de Youssef ainda nesta semana

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Ideia do procurador-geral da República é abrir ainda em 2014 os inquéritos relacionados a pessoas com foro privilegiado

Agência Brasil

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, nesta quarta-feira (3), que espera receber ainda nesta semana a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato e apontado como um dos operadores do esquema de cartel envolvendo empreiteiras em contratos de obras da Petrobras e no pagamento de propina a funcionários da empresa e políticos.

Jeso Carneiro/Agência Senado
O doleiro Alberto Youssef: um dos personagens a fornecer denúncias à Operação Lava Jato

“Ainda não chegou às minhas mãos, mas deve chegar nesta semana ainda”, disse Janot, que estuda a possibilidade de, após o recebimento, abrir ainda este ano os inquéritos relacionados a pessoas com foro privilegiado. "Junta os dois [com a delação de Paulo Roberto Costa] e a gente tem a visão de contexto, de conjunto, até para definir a estratégia do processamento perante o STF [Supremo Tribunal Federal]."

Janot confirmou ter sido procurado por advogados de executivos de empreiteiras, presos na sétima fase da Lava Jato que trataram sobre a possibilidade de eventual acordo para abrandar penas dos executivos. Eles propuseram colaboração nas investigações, vinculada à suspensão de sanções aos executivos. As penalizações, como pagamento de multas, impedimento de participar de licitações, entre outras, recairiam sobre as empresas.

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Na avaliação de Janot, um acordo para diminuir as penas só seria possível caso os diretores assumam culpa nos crimes, mas ressaltou que a decisão deveria ser tomada na primeira instância, pelos procuradores que atuam na força-tarefa da Lava Jato (Polícia Federal e Ministério Público Federal) no Paraná.

“Primeiro, o acordo eventual deve ser feito junto à força-tarefa, que são os colegas que atuam em primeiro grau. Segundo – e aí é minha opinião, não sei a deles –, é que acho muito difícil a possibilidade de um acordo em que as pessoas físicas dessas empresas não assumam a culpa pelos atos ilícitos pelos quais estão sendo investigados”, destacou.

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