Ex-presidenciável sufocava o surgimento de rivais no partido, que prevê redução de influência sobre os diretórios no Brasil

A disputa pelo espólio político de Eduardo Campos no PSB de Pernambuco já começou, mas as trincheiras para a guerra interna só devem ser montadas depois de concluído o enterro do ex-candidato a presidente, morto na quarta-feira (13) em Santos, litoral de São Paulo. Embora os socialistas pernambucanos evitem o assunto em público, já existem pelo menos três grupos que pretendem capitalizar a popularidade do ex-governador, embora seus líderes não desfrutem do mesmo carisma e influência.

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Se Campos era conhecido pela população pela simplicidade com que se dirigia a ela, nos bastidores do poder era encarado como o homem da primeira e última palavra. Para evitar concorrência no partido, escolhia seus herdeiros entre os auxiliares da mais absoluta confiança. Seus planos, afirmam interlocutores, era preparar o filho, João Henrique Campos , 20, para assumir seu lugar.

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Agora sem um líder nato, uma parcela do PSB no Estado defende que o governador João Lyra use sua influência no interior para assumir o posto de Campos. Outra prefere que o candidato ao governo, Paulo Câmara, fique com essa responsabilidade, primeiro por ter sido indicado pelo ex-presidenciável para disputar a eleição e depois por ser esta a melhor oportunidade para mostrar a liderança necessária a um governador.

Um terceiro grupo está alinhado ao prefeito de Recife, Geraldo Julio, o mais próximo da ex-primeira dama, Renata Campos, e de João, promessa política com o DNA dos Arraes, mas que ainda precisa mostrar viabilidade. Correndo por fora está o candidato ao Senado Fernando Bezerra Coelho, um dos mais tarimbados no partido.

Influência Nacional

Coroas de flores são vistas na frente do Palácio das Princesas, no Recife (16/8)
Fernando Fazão/ Agência Brasil
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Além da divisão interna, o PSB pernambucano amarga a certeza de que sua influência sobre o partido no restante do País acabou. Para garantir o mínimo de força depois das eleições, foi o primeiro diretório a defender Marina Silva no lugar de Campos e a designar dois homens de confiança do ex-governador para acompanhar de perto a eleição presidencial: o secretário-geral do partido e coordenador da campanha presidencial, Carlos Siqueira, e o ex-deputado federal e cotado a vice de Marina, Maurício Rands.

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