Sem ingressos para a Copa, vereadores de SP se rebelam e não votam Plano Diretor

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

A secretária do Comitê Especial para a Copa mandou 18 convites. "Nós somos 55. Secretária, eu acredito que você mandou para outra Câmara Municipal", avisa Adilson Amadeu

A falta de acordo sobre a emenda que libera a construção de habitações populares para o MTST e a falta de ingressos para a abertura da Copa do Mundo para parte dos vereadores da Câmara Municipal de São Paulo azedou de vez o clima da Casa e adiou a votação do Plano Diretor Estratégico (PDE), prevista para esta terça-feira (10).

São Paulo: Relator diz que Plano Diretor não será 'colcha de retalhos

Plano Diretor Estratégico: Entenda o que pode mudar em São Paulo

Após meses de negociação, 40 audiências públicas promovidas e uma série de protestos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o relator do projeto, Nabil Bonduki (PT) e o presidente da Casa, o vereador José Américo, haviam prometido a votação para antes da Copa, entre os dias 9 e 11 de junho.

A falta de ingressos para a cerimônia e o jogo de quinta-feira (12), no entanto, foi a gota d'água para alterar os ânimos dos vereadores. A secretária do Comitê Especial para a Copa do Mundo de 2014, a vice-prefeita Nádia Campeão, enviou apenas 18 convites, o que não contempla todos os 55 vereadores de São Paulo.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Adilson Amadeu cobra ingressos para a abertura da Copa, diz que clima é de desacordo, mas minimiza efeito sobre o Plano Diretor

"Só vieram 18, nós somos em 55. Secretária, eu acredito que você mandou para outra Câmara Municipal", avisa o vereador Adilson Amadeu (PTB), que não recebeu o convite. Apesar do recado à vice-prefeita, o vereador negou que esse seja um motivo para a queda da votação, mas confirma que o fator contribui para piorar o clima de desacordo. "Esse episódio vai ser superado, com ou sem ingresso."

José Américo confirma que Nádia enviou os 18 convites para a Câmara, e que mandou devolver as entradas porque não daria para todos os parlamentares. "Ela mandou, é insuficiente, mas isso não tem absolutamente nada a ver com Plano Diretor", disse. O presidente da Câmara disse que a situação causou mal-estar na Casa, mas que foram poucos os vereadores que reclamaram sobre os ingressos, "uns quatro ou cinco", disse.

Os líderes Floriano Pesaro (PSDB), Police Neto (PSD), Toninho Vespoli (PSOL) e Ricardo Young (PPS) disseram que os convites nem chegaram aos seus gabinetes. "E se tivesse recebido, teria negado", disse Pesaro.

Sessão extra

Para garantir a votação dentro do prazo prometido, a Casa convocou uma sessão extraordinária extra, às 11h da manhã de hoje, mas desta vez, após um acordo com o governo federal para acalmar o MTST, não houve protesto nem vereadores suficientes para iniciar a sessão. Na Câmara, o clima era de negociações nos bastidores e de pouco trabalho no plenário. A reunião de líderes, às 14h, também não foi realizada. A reunião ordinária foi apenas aberta pelo presidente da Casa, que avisou que iria se reunir com o prefeito Fernando Haddad, junto com outras lideranças, e resolveria o que fazer com o PDE.

Taba Benedicto/Futura Press
Câmara Municipal de São Paulo recebeu 18 ingressos, mas no total tem 55 vereadores querendo ir á abertura do Mundial

Ontem, Haddad já se reuniu com os líderes da Câmara buscando acordo para votação do plano. Na reunião, o prefeito também informou os vereadores de outro acordo, o do governo federal com o MTST, para cessar os protestos contra a Copa do Mundo. Em troca do fim de protestos contra a Copa, o MTST recebeu a liberação da construção de 2 mil habitações populares na ocupação Copa do Povo, na zona Leste da capital, a cerca de 2 km do Itaquerão. 

Além das moradias na ocupação, o governo também prometeu criar uma comissão interministerial para a prevenção de despejos forçados e a mudança da faixa de renda atendida pelo Minha Casa Minha Vida, de até R$ 1.600 para R$ 2.172 mensais.

Lideranças do PTB, do PMDB e do PSD questionam a inclusão da emenda do governo municipal que transforma o terreno da Copa do Povo em uma Zona Especial de Interesse Social (ZEI). A avaliação de muitos vereadores, e da oposição, é de que o plano seja votado com calma, após os recesso de julho.

O presidente da Comissão de Política Urbana na Câmara e parte da oposição, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), disse que a Prefeitura está criando um obstáculo na reta final. "O governo federal, que colocou a Prefeitura numa posição complicada", criticou. O tucano aponta o temor de que, se o governo ceder à pressão de transformar terrenos ocupados em Zeis, isso vai virar uma ferramenta de legalização e desencalhe de terrenos "micos" na cidade. 

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas