Sérgio Mendes comemora indicação ao Oscar e confessa estar "rezando"

Em parceria com Carlinhos Brown no filme "Rio", compositor brasileiro só tem um concorrente na categoria de melhor canção original

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Sérgio Mendes no almoço dos indicados ao Oscar: "vou ficar rezando", confessa o compositor
Aos 71 anos, dono de uma carreira com inúmeros sucessos e trilhas para cinema, o lendário compositor Sérgio Mendes poderia passar a impressão de que já conseguiu tudo na vida, mas a verdade é que lhe falta uma coisa: o Oscar . E neste ano ele pode levar a estatueta para casa.

A canção "Real in Rio", composta por ele, Carlinhos Brown e Siedah Garret para a animação "Rio", foi indicada ao prêmio e tem grandes chances de vitória na cerimônia do dia 26, pois só enfrenta um concorrente – ouça as duas músicas .

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Na manhã em que os indicados ao Oscar foram anunciados, em janeiro, Mendes foi acordado por um telefonema do diretor do filme, Carlos Saldanha, perguntando-lhe se o seu smoking estava passado.

"Eu não podia acreditar", disse Mendes. "Ainda estou meio que me beliscando. Que momento maravilhoso na minha vida!", afirmou o compositor.

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E momentos maravilhosos não faltaram na história dele. Quando jovem, Mendes se apresentava em casas noturnas cariocas e teve Tom Jobim como mentor. Depois disso, faria uma bem sucedida carreira internacional.

Mas compor "Real in Rio" foi uma experiência especial para Mendes, que se disse honrado com a oportunidade.

"Me pediram para escrever uma canção que abrisse o filme", disse Mendes. "Ela meio que atravessa todo o filme e no final explode em um desfile carnavalesco. Então isso é 'Real in Rio'."

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Mendes se radicou nos Estados Unidos no começo da década de 1960 e logo gravou alguns trabalhos, mas sua carreira fora do Brasil só decolaria na pareceria com Herb Alpert – o hit "Mas Que Nada" estava no primeiro álbum importante dele, "Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil '66".

"Ele [Alpert] foi não só um mentor, foi um amigo. Ainda hoje venero sua música", disse Mendes, lembrando-se "da forma como ele abordava as harmonias, suas vocalizações, a orquestração".

null"Mas Que Nada", de Jorge Ben, se tornou a primeira canção brasileira cantada em português a fazer sucesso mundial, segundo Mendes. Ele a reinterpretou em 2006 numa colaboração com Will.i.am, do Black Eyed Peas, que produziu o álbum "Timeless", de Mendes.

"Essa é uma geração totalmente diferente, que nunca escutou aquela música nos anos 60, e eles estavam apresentando-a como uma canção totalmente nova."

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Depois de "Mas Que Nada" vieram outros sucessos, como "Fool on the Hill" e "Look of Love", e o conjunto Brasil 66 começou a excursionar com Alpert e sua Tijuana Brass, que Mendes observa com orgulho ter sido "a banda instrumental mais quente do mundo" naquela época.

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Mendes no MusiCares, homenagem a McCartney
Apesar de ter meio século de carreira, Mendes não perdeu o entusiasmo pelos shows. Comemorando 71 anos na semana passada, ele tocou "Fool on the Hill" em um evento em homenagem a Paul McCartney.

No Oscar, "Real in Rio" enfrenta apenas "Man or Muppet" na disputa pelo prêmio de melhor canção original. "Vou ficar rezando", disse Mendes.

A escassez de indicados resulta de recentes mudanças no formato do Oscar, respondendo às críticas de que canções medíocres estavam sendo selecionadas – entenda o processo .

Por isso, gente como Madonna, Elton John, Elvis Costello, Alan Menken e Mary J. Blige ficaram de fora, o que deu motivo a outras críticas da indústria fonográfica.

Mas Mendes disse que mal soube da mudança de regras, e comentou apenas que "gostaria que houvesse mais canções" indicadas.

O compositor lamentou o fato de os organizadores do Oscar não terem incluído apresentações musicais na cerimônia televisionada. "É uma canção tão feliz", disse ele sobre "Real in Rio". "Seria uma vibração realmente incrível para todos."

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