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José Serra

Um dos tucanos mais famosos do País, ele perde força no partido e já vislumbra mudar de sigla de olho nas eleições

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Filho de italiano com brasileira, lutou contra a ditadura militar, fugiu para o Chile e voltou 13 anos depois para marcar seu nome na história política do Brasil

O ex-governador de São Paulo José Serra bate sempre na mesma tecla quando consultado sobre uma possível candidatura a presidente nas eleições do ano que vem: não é hora de antecipar a campanha eleitoral. "Este período precisa ser preenchido com o debate de propostas", costuma repetir. Como um gato que tomou banho de água fria, Serra está escaldado pela recente derrota para Fernando Haddad na disputa pela prefeitura da cidade de São Paulo e pelas duas derrotas no pleito nacional para presidente, nas quais levou a pior, no segundo turno, para Lula e Dilma, respectivamente em 2002 e 2010. Mas o gatuno costuma adotar essa estratégia: silêncio absoluto em público e costura de bastidores até consumar os fatos.

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Enquanto não decide o futuro - há quem diga que ele pode deixar o PSDB, onde no momento a indicação de Aécio Neves para a campanha presidencial é dada como certa, e ingressar no PPS, do ex-senador Roberto Freire - , Serra segue com duras críticas do governo Dilma Rousseff, como se ainda estivesse em campanha (ou já estaria ensaiando uma futura disputa com a atual presidente?). "A herança do governo Dilma será muito adversa", afirma ele.

"Não me lembro de um governo tão fraco", diz Serra sobre Dilma

José Serra dá sinais de sentir o peso das muitas batalhas. No último dia 24 de julho, foi submetido a um cateterismo cardíaco. De acordo com a nota do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, Serra realizou uma avaliação pré-operatória de rotina. Dias depois, bateu forte no sistema de saúde do Brasil, classificando-o de "ineficiente", por parte do governo federal. "Não é possível que o setor seja objeto de troca-troca político para obtenção de benefícios de poder", criticou o (ainda?) tucano.

"Quem antecipa campanha eleitoral é o PT", diz Serra

É a sua veia de candidato que não sossega quieta. Em sua primeira eleição, ganhou: presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1963. Na época, cursava engenharia na Universidade de São Paulo e era um "quadro" da Ação Popular, organização de esquerda mas de origem católica, que pregava um "socialismo humanista" e teve entre seus fundadores Herbert de Souza, o sociólogo Betinho. Até então, nada fazia crer que Serra entraria para a vida pública.

Na juventude, foi metido a paquerador e fazia sucesso nos bailes como dançarino


Nascido no tradicional bairro da Mooca, em São Paulo, José Serra é o filho único de um imigrante italiano, o calabrês Francesco Serra, e da brasileira Serafina Chirico Serra, filha de imigrantes. O pai quis que o filho o ajudasse na barraca de frutas que tinha no Mercado Municipal da Cantareira, mas a mãe insistiu para que ele só estudasse. O menino tinha o estômago delicado: não comia alho, cebola, nem pimentão. Na juventude, foi metido a paquerador e fazia sucesso nos bailes como dançarino. Quis até ser ator (e, na universidade, fez teatro amador com José Celso Martinez Corrêa, do Grupo Oficina). Estudioso, os colegas o viam com biografias de políticos embaixo do braço.

Após o golpe militar de 1964, refugiou-se em embaixadas até conseguir o exílio no Chile, onde conheceu sua mulher, a bailarina e psicóloga Mónica Allende (parente distante do presidente chileno), com quem teve dois filhos, Verônica e Luciano. Fez mestrado em economia na Universidade do Chile e deu aulas na Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). Ficou no país até o golpe militar que derrubou Salvador Allende, em 1973, quando foi para os Estados Unidos, onde concluiu doutorado em ciências econômicas na Universidade de Cornell. Nesse período, assinou dois textos acadêmicos, "As desventuras da dialética da dependência", com o futuro companheiro de partido Fernando Henrique Cardoso, e "Além da estagnação", com a futura confidente Maria da Conceição Tavares.

Esperanças de Serra agora residem em dobradinha PPS-PSD

Na volta ao Brasil, 13 anos depois do golpe e ainda antes da anistia, em 1978, retomou o trabalho de professor, na Universidade de Campinas. Ingressou no ainda MDB. Teve início suas atividades na administração pública, ao ser convidado pelo governador Franco Montoro para ser o secretário de Planejamento de São Paulo. Em 1886 elegeu-se deputado constituinte, e votou contra a nacionalização dos bancos estrangeiros e a limitação dos juros.

Dois anos depois ajudou a fundar o PSDB, pelo qual conquistou mais um mandato de deputado (1990) e outro de senador (1994). Durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, foi ministro do Planejamento (1995-1996) e da Saúde (1998-2002). Se naquela pasta teve um desempenho de discreto a fraco, nesta foi mais destacado: eleitores o identificam com a adoção dos genéricos. Conseguiu diminuir o preço do coquetel de remédios contra a aids e proibiu a propaganda de cigarros na televisão, contrariando interesses dos laboratórios farmacêuticos e a indústria do tabaco. Na mesma época surgiu a piada espalhada por FHC segundo a qual Serra só teria uma vaga na vida quando tinha mais de 50 anos.

A boa imagem conseguida no Ministério da Saúde levou-o a ser indicado a concorrer à Presidência da República em 2002, pela coligação Grande Aliança (PSDB-PMDB). Serra conseguiu avançar ao segundo turno, mas não conseguiu reverter a diferença para Lula. Ao todo, teve cerca de 33 milhões de votos, representando 38,72%, mas venceu apenas em um estado: Alagoas.

"De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos"


Em 2004 assumiu a prefeitura de São Paulo. Mesmo tendo feito a promessa de cumprir integralmente o mandato, deixou o cargo para concorrer e conseguir o governo do estado, em 2006, conquistando sobretudo o eleitorado do interior. José Serra tornou-se o único candidato a presidente pelo PSDB diante da desistência de Aécio Neves, em 2009. Em seu discurso, afirmou: "De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos". De novo chegou ao segundo turno, contra a adversária Dilma Rousseff, do PT. Perdeu outra vez, chegando à frente em 11 estados e totalizando mais de 43,7 milhões de votos.

Não desistiu - ou não pôde desistir por pressão do PSDB - e voltou à carga na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2012. Depois de haver comunicado ao partido a impossibilidade de concorrer, voltou atrás da decisão e anunciou que era candidato pelo Twitter. O escândalo do mensalão foi um dos principais temas usados por Serra para atacar o candidato Fernando Haddad, do PT. Apesar de ter vencido no primeiro turno, pesquisas de opinião já mostravam vantagem de Haddad no segundo. Derrotado mais uma vez, disse que saía do pleito "mais revigorado e com mais energia".

Atualmente, José Serra tem mais de um milhão de seguidores no Twitter. Começou a usar a rede social, como quase todo político, para ter contato direto com os eleitores. Geralmente divulga sua agenda e sugere links para artigos e reportagens nas quais seja citado favoravelmente ou afinados com seus interesses. Às vezes, trata da vida particular: "Ontem e hoje levei meus netos ao cinema. Desenhos animados ótimos: "Turbo" e "Meu Malvado Favorito 2"; "Minha neta exibe plena e serena consciência de que manda em mim, o que é absoluta verdade"; "Faz 20 anos hj q o Palmeiras ganhou do Corinthians por 4x0 e venceu o Paulistão, depois de 16 anos sem conquistas".

Apesar de denúncias, Serra diz que não tomou conhecimento de cartel

Via Twitter, José Serra tem recebidos muitas perguntas sobre as denúncias de suposto cartel formado por empresas fornecedoras do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos na licitação de obras ocorridas durante administrações tucanas em São Paulo. Um das empresas que estariam envolvidas no esquema, a Siemens, acusou o governo estadual de ter conhecimento do cartel e de ter dado aval ao seu funcionamento. Serra afirma desconhecer o assunto.
Dados Pessoais
  • 70 anos
  • Político, ex-governador do Estado de São Paulo
  • Graduado em Engenharia Civil na USP, com doutorado em Economia na Universidade de Cornell (EUA)
  • Nasceu em São Paulo (SP)
  • Casado, pai de dois filhos