Obama recebe Dilma para reunião na Casa Branca

Em encontro com presidente americano no Salão Oval, Dilma manifestou preocupação com depreciação da moeda de países desenvolvidos

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff foi recebida nesta segunda-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Salão Oval da Casa de Branca em Washington. O encontro entre os líderes faz parte da visita oficial de Dilma aos Estados Unidos , que começou no domingo e terminará na terça-feira.

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Durante o encontro, Dilma manifestou preocupação com a depreciação das moedas dos países desenvolvidos – em consequência das políticas monetárias expansionistas para conter a crise nesses países. Segundo disse a presidenta após o encontro com Obama em Washington, esse desequilíbrio pode afetar a todos os países, mas principalmente os emergentes. Dilma chegou a classificar o excesso de liquidez como um "tsunami monetário"

"Reconhecemos o papel dos Bancos Centrais, em especial do Banco Central Europeu, em impedir uma crise de liquidez de altas proporções, afetando a todos os países" , disse Dilma, sentada ao lado de Obama à frente da tradicional lareira do Salão Oval.

EFE
A presidenta Dilma Rousseff conversa com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca

"Mas também manifestamos para o presidente a preocupação do Brasil com a expansão monetária, sem que os países equilibrem essa expansão monetária com políticas fiscais baseadas na expansão dos investimentos", afirmou. "Essas políticas monetárias levam à desvalorização das moedas dos países desenvolvidos, levbando ao comprometimento dos países emergentes."

Ao lado de Dilma, Obama fez um breve discurso diplomático, afirmando que a relação entre Brasil e EUA "nunca esteve tão forte". E reafirmou ainda que os EUA abrirão mais dois consulados no Brasil, em Belo Horizonte e Porto Alegre.

Obama informou que os dois líderes discutiram temas como a cooperação energética – principalmente em temas de biocombustível, petróleo e gás –, intercâmbios educacionais e combate ao narcotráfico com vistas à Cúpula das Américas, no próximo fim de semana em Cartagena, na Colômbia.

Já Dilma, além da questão fiscal, também disse que Brasil e EUA têm várias áreas de cooperação, por exemplo, no campo da defesa, atividade naval, energia e inovação. Ela lembrou que a Copa de 2014 e o Programa de Aceleração do Crescimento proveem "extensas oportunidades de investimento" no país.

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Esta é a terceira vez que os dois se encontram como presidentes: a primeira foi em março do ano passado, quando Obama visitou o Brasil . A segunda, na Assembleia Geral da ONU , em Nova York, em setembro do ano passado.

Dilma chegou na tarde de domingo a Washington e se reuniu com um grupo de empresários brasileiros para preparar o fórum de altos executivos, realizado nesta segunda-feira com empresas americanas.

À tarde, a presidenta fará um discurso na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, dentro de um fórum empresarial entre ambos países do qual também participarão a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

No fim do mês passado, a CNI divulgou junto com a Câmara Americana de Comércio uma carta com recomendações para os governos de ambos os países por ocasião da visita. Entre essas recomendações estão a inclusão do Brasil no Programa de Isenção de Vistos , para incentivar o movimento de turistas e empresas entre os dois países, e a facilitação de vistos para trabalhadores qualificados no Brasil.

O tema sobre mão-de-obra qualificada será recorrente na visita. Em Washington as autoridades brasileiras assinarão 14 acordos na área de educação relativos ao programa Ciência Sem Fronteiras , para permitir que mais universidades americanas recebam estudantes brasileiros.

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Na terça-feira, em Boston, Dilma visitará a Universidade de Havard, que já faz parte do programa, e a sede do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que passará a fazer. A meta do Ciência Sem Fronteiras é enviar 101 mil bolsistas para estudar no exterior - 75 mil financiados pelo governo - e a expectativa é que cerca de um quinto deles venha para os Estados Unidos.

Além deses acordos, Brasil e Estados Unidos devem assinar quatro acordos internacionais e três institucionais. Entre as áreas contempladas estão aviação (na qual os dois países são líderes mundiais), segurança alimentar (para atuação conjunta em outros países), cooperação descentralizada (relativa a Estados e municípios), além de uma troca de cartas para reconhecimento dos nomes internacionais da cachaça brasileira, e do bourbon e uísque do Tennesse.

Com BBC e EFE

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