Ex-rebelde, McCain agora segue a linha do Partido Republicano

Após derrota na eleição presidencial americana de 2008, senador renova carreira política e se torna o congressista mais ativo da Casa

iG São Paulo |

À medida que a eleição presidencial americana se aproxima e a maioria dos membros do Congresso demonstra um ávido desejo de fugir de Washington, o senador John McCain do Arizona se torna mais presente do que nunca.

Mas muitos notaram uma mudança no parlamentar republicano e candidato presidencial derrotado em 2008: o antigo rebelde, que já contrariou seu partido sobre o meio ambiente e o financiamento de campanha e atacava republicanos e democratas no Senado, não existe mais.

Saiba mais: Acompanhe a cobertura completa das eleições nos EUA

NYT
O senador John McCain, do Arizona, anda pelo Capitólio em Washington (25/07)

O candidato a senador de inclinação à extrema-direita de 2010, que se deparou com uma disputa em seu Estado natal que o levou a recuar de suas posições sobre a imigração e o aquecimento global, também já não faz parte de sua persona política.

McCain parece ter adotado uma nova versão para sua longa e multifacetada carreira no Senado – a de um guerreiro valente e entusiasmado. Ele costuma fazer aparições nos programas de TV dominicais, no plenário do Senado e nos corredores do Capitólio para pressionar a agenda do seu partido sobre impostos, gastos militares e segurança nacional.

Hoje, ele praticamente anda lado a lado com o senador Mitch McConnell, do Kentucky, líder republicano com quem já teve uma relação conflituosa.

Leia também: McCain anuncia apoio à candidatura de Romney

"O senador McCain é um tremendo líder dentro do Partido Republicano, assim como um conselheiro de confiança para mim em uma série de questões críticas, incluindo segurança nacional e questões fiscais", disse McConnell. "O fato de termos ficado recentemente do mesmo lado nessas batalhas não apenas fortaleceu nossa amizade, mas ajudou a esclarecer o debate sobre a questão."

Esta última versão de John McCain surgiu logo após a perda da campanha presidencial de 2008 para Barack Obama, um homem que ele considerava ter um currículo muito fraco em comparação com suas décadas de serviço militar e público. A derrota o deixou amargo sobre a política e os meios de comunicação - um grupo que anteriormente chamava de sua base.

Agora, após quase três anos como um personagem secundário, McCain é uma imagem onipresente em quase todas as questões fundamentais no Senado, desde um projeto de lei de segurança cibernética até o debate sobre a Síria, de uma investigação sobre vazamentos de segurança nacional até a luta para evitar US$ 500 bilhões em cortes para o Pentágono. Ele é sem dúvida o senador mais ativo em uma Câmara normalmente parada.

Recentemente, ele também tem sorrido bastante.

"Passei três anos sentindo pena de mim mesmo", disse McCain a um grupo de repórteres nesta semana, enquanto esperava um elevador no prédio do Senado respondendo a perguntas - como faz diariamente sobre os principais tópicos do dia, seja o orçamento, a Primavera Árabe ou o remanejamento dos fuzileiros navais em Okinawa e Guam.

McCain estava com tudo recentemente no Senado, quando ridicularizou um grupo de republicanos por sugerir que Huma Abedin, um dos assessores de alto escalão da secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, tinha ligações com a Irmandade Muçulmana.

Na semana que vem ele visitará uma série de cidades da costa leste, realizando reuniões para falar sobre os cortes planejados para o Pentágono que resultaram do acordo da dívida de teto do ano passado, outra luta na qual é o centro das atenções.

Muitos dos outros interesses de McCain se encaixam perfeitamente nas grandes questões do dia, como por exemplo o debate sobre o papel dos Estados Unidos nos conflitos existentes no Oriente Médio - no qual ele tem sido um crítico árduo do governo de Obama.

McCain também é um defensor muito útil para o seu partido em ano eleitoral. Ele dá credibilidade a questões militares e pode utilizar seus dons retóricos em programas de domingo (onde tem aparecido mais do que qualquer outro membro do Congresso, de acordo com uma contagem feita pelo jornal Roll Call) para promover a visão do partido de uma forma que McConnell e outros não conseguem.

"Ele ama o que faz", disse o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, um antigo amigo e aliado de McCain. "Ele é o modelo para alguém que no futuro se candidate à presidência e não ganhe. Ele não desistiu e desapareceu. Estou muito orgulhoso dele. Ele está sempre bastante envolvido em tudo que acontece no âmbito político.”

Por Jennifer Steinhauer

    Leia tudo sobre: eleição nos euamccainromneyrepublicanoseua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG