Incêndio em prisão de Honduras deixa centenas de mortos

Polícia investiga causas de fogo em penitenciária de Comayagua e autoridades temem que prisioneiros tenham conseguido fugir

iG São Paulo |

Um incêndio atingiu uma prisão de Honduras na noite de terça-feira, deixando centenas de mortos e cerca de 20 feridos. Segundo a rede britânica BBC, haveria 300 mortos e 56 desaparecidos entre os 853 que estavam na penitenciária de Comayagua, a 140 km ao norte da capital, Tegucigalpa. Acredita-se que 476 detentos tenham fugido da prisão.

De acordo com a a agência Associated Press, que ouviu o porta-voz do Ministério de Segurança, Hector Ivan Mejia, 356 detentos estão desaparecidos e presumidamente mortos, enquanto 475 fugiram e 21 ficaram feridos.

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AP
Parentes de presos entram em choque com a polícia do lado de fora de prisão que pegou fogo em Comayagua, Honduras

Centenas de parentes que se reuniram do lado de fora da prisão entraram em choques com a polícia ao tentar invadir o local para saber o paradeiro dos presos e recuperar seus corpos. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

"Estou procurando pelo meu irmão. Não sabemos o que aconteceu com ele e não nos deixam entrar", disse Arlen Gomez a uma rádio hondurenha antes dos choques com a polícia.

O presidente hondurenho Porfírio Lobo prometeu uma investigação "completa e transparente" sobre a tragédia, que ele classificou como "lamentável e inaceitável". Ele acrescentou que autoridades prisionais locais e nacionais seriam suspensas - inclusive às da prisão de Comayagua - enquanto o inquérito estivesse ocorrendo.

Será "uma investigação independente, com figuras de muita autoridade moral, com o acompanhamento e observação internacional", acrescentou o presidente hondurenho.

Lobo agradeceu a seu colega do Chile, Sebastián Piñera, que lhe comunicou que enviará "imediatamente" uma equipe de especialistas para fazer uma rápida identificação dos corpos. "Recebemos ligações de apoio dos EUA, Colômbia e do presidente (Daniel) Ortega da Nicarágua, expressando sua solidariedade e oferecendo todo seu apoio", ressaltou.

Bombeiros disseram que a maior parte das vítimas morreu queimada ou por inalar fumaça. Alguns sobreviventes escaparam pelo telhado e se jogaram do alto do prédio, de acordo com familiares.

O porta-voz dos bombeiros Josué Garcia disse que muitos prisioneiros ficaram presos em suas celas porque o guarda que tinha a chave não foi localizado. "Há muitos corpos empilhados no interior da prisão de pessoas que com certeza tentaram, mas não conseguiram escapar do fogo", afirmou. O incidente foi um dos incêndios em prisão mais mortais do século em todo o mundo, segundo a agência Associated Press.

Lucy Marder, chefe de medicina forense da promotoria, disse que o número de mortos deve aumentar e que levaria ao menos três meses para identificar todas as vítimas. Por conta do nível das queimaduras em alguns corpos, serão necessários testes de DNA.

Autoridades ainda investigam as causas do incêndio, que levou mais de uma hora para ser controlado, mas negaram os rumores de que o fogo começou durante uma rebelião. "Temos duas hipóteses: uma é de que um prisioneiro incendiou um colchão e outra é que houve um curto-circuito no sistema elétrico", disse Hector Ivan Mejia, da Secretaria de Segurança de Honduras

Segundo o jornal hondurenho La Prensa, a governadora de Comayagua, Paola Castro, disse que recebeu um telefonema na noite de terça-feira de um prisioneiro, que afirmara que iria "botar fogo em tudo. Vamos morrer todos. Estamos queimando, estamos todos morrendo".

Paola trabalhou durante anos na prisão, razão pela qual era conhecida por muitos detidos - o que explica a ligação telefônica. Castro, no entanto, não identificou o preso que fez o telefonema, mas alertou os bombeiros e a Cruz Vermelha do ocorrido.

De acordo com a AP, sobreviventes afirmaram aos investigadores que um prisioneiro não identificado gritou "Nós vamos todos morrer aqui", enquanto colocava fogo em sua cama na noite de terça-feira.

Cinco equipes de legistas começaram nesta quarta a tarefa de identificar os restos das vítimas do incêndio. A identificação dos restos, muitos totalmente carbonizados, que ficaram empilhados em cinco celas de um dos dois módulos da prisão começou em meio à consternação dos familiares dos detentos, alguns porque já sabiam de sua morte e outros porque desconheciam seu paradeiro.

"Me dói pensar que meu irmão esteja morto, mas tenho que esperar que as autoridades confirmem", lamentou aos jornalistas Carmen Ulloa. "Deus, por que levou meu filho? Por que tirou ele de mim?", chorava Blanca Rodríguez, mãe de outro prisioneiro.

O Departamento de Estado norte-americano criticou Honduras pela "duras condições de suas prisões" e a violência contra os detidos. "Esse é um problema que existe há muito tempo e as soluções não foram aplicadas, mas nós temos que fazer alguma coisa, embora não tenhamos o dinheiro", disse o ministro da Segurança, Pompeyo Bonilla.

Os EUA mandaram ajuda de uma base aérea em Soto Cano, cerca de 15 minutos de distância da casa de detenção.

As prisões em Honduras apresentam uma das maiores taxas de homicídios do mundo e geralmente sofrem com problemas como superlotação. De acordo com estatísticas do governo, a prisão de Comayagua foi construída na década de 1940 com capacidade para 400 detentos, mas abrigava mais que o dobro, todos vigiados por 100 guardas.

Com AP e EFE

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