Desmontagem da usina de Fukushima vai levar mais de 30 anos

Combustíveis no núcleo dos reatores mais danificados pelo tsunami de março devem ser retirados antes de dez anos, prevê relatório

iG São Paulo |

Um comitê nuclear criado pelo governo do Japão alertou nesta sexta-feira que o fechamento da usina de Fukushima Daiichi, epicentro do pior acidente nuclear dos últimos 25 anos, não será concluído antes de 30 anos.

Segundo o canal de televisão NHK, a Comissão de Energia Atômica apresentou nesta sexta uma minuta de seu relatório sobre o fechamento da usina, na qual prevê para antes de três anos a retirada do combustível utilizado nas piscinas dos reatores 1, 2, 3 e 4, que será levado a uma piscina de armazenamento comum.

AFP
Uma coluna de fumaça próxima ao porto de Tagajo, próximo à área onde está localizada a usina nuclear de Fukushima 1 (13/03)

Os especialistas querem também que o combustível que está no interior do núcleo dos reatores 1, 2 e 3, os mais danificados pelo tsunami de março, comecem a ser retirados antes de dez anos. Esses reatores sofreram uma fusão parcial de seus núcleos quando o tsunami provocado por um terremoto de 8,9 graus na escala Richter paralisou os sistemas de refrigeração da usina, que tinha quatro de suas seis unidades ativas.

Segundo o comitê, passarão pelo menos 30 anos antes que todo o combustível seja retirado e haja condições necessárias para que os reatores da central, que operavam desde a década de 1970, possam ser desativados.

"Não podemos prever uma data para o fechamento da central até a pesquisa ser concluída", disse à NHK um dos especialistas do comitê, o professor Hajimu Yamana, da Universidade de Kioto.

Na usina de Three Mile Island, nos Estados Unidos, a retirada de combustível começou seis anos e meio depois do acidente de 1979, mas provavelmente vai demorar mais tempo no complexo de Fukushima já que o prédio sofreu um acidente mais grave, disse o subcomitê em um esboço de relatório.

Por enquanto o objetivo é começar a retirar o combustível do interior dos reatores o mais rápido possível, assim que houver condições de segurança no interior da central, e, em qualquer caso, antes de dez anos. O relatório não forneceu os custos estimados para o processo total de desmontagem.

AP
Yoshihiko Noda é aplaudido no Parlamento do Japão como novo primeiro-ministro do país (30/8)
Contaminação

O acidente nuclear de Fukushima, o mais grave desde de Chernobyl, mantém desabrigadas cerca de 80 mil famílias em um raio de 80 km da usina por temor à radioatividade, que causou danos milionários na agricultura, pecuária e pesca da região.

De acordo com um estudo apresentado na quinta-feira, realizado pelo Instituto de Pesquisa de Segurança Nuclear da França (IRSN), o acidente nuclear provocou a maior contaminação radioativa marinha da história.

A interpretação dos resultados da medição de césio 137 na água do mar fez com que o IRSN atualizasse a estimativa da quantidade total desse elemento lançada no mar entre 21 de março e meados de julho. "Essa é a maior quantidade desse radioisótopo artificial presente em meio marinho", afirmou o instituto em comunicado.

Apesar disso, a localização da usina de Fukushima "permitiu uma dispersão excepcional desse elemento, pela presença de uma das principais correntes marítimas do mundo, que espalha as águas contaminadas em direção ao oceano Pacífico".

O governo japonês e a Tokyo Electric Power, operadora da usina, garantem, no entanto, que os níveis de radioatividade têm diminuído gradualmente e esperam levar os reatores danificados ao estado de "parada fria" antes do fim do ano.

Salários para reconstrução

O salário de premiê do Japão, Yoshihiko Noda, será reduzido em 30% e o dos ministros e vice-ministros, em 20%, a fim de contribuir para o financiamento da reconstrução das zonas assoladas pelo terremoto de março.

De acordo com a agência local Kyodo, a redução está contemplada em um projeto de lei que procura cortar o salário dos funcionários públicos em quase 8% até 2014, embora os membros do gabinete tenham decidido aplicar o corte em seus vencimentos já no mês que vem para demonstrar seu compromisso.

Se for aprovada, a lei permitirá ao governo arrecadar 290 bilhões de ienes por ano (US$ 3,8 bilhões) para utilizar em trabalhos de reconstrução no nordeste do país. A norma já está no Parlamento, junto a outra lei que procura ampliar os direitos trabalhistas dos funcionários públicos.

Pouco depois de chegarem ao poder, no início de setembro, os membros do gabinete de Yoshihiko Noda já acordaram ceder 10% de seus salários aos cofres públicos para contribuir para a reabilitação após o terremoto de março, a pior catástrofe no Japão após a Segunda Guerra Mundial.

Após o acordo de hoje, o salário do premiê passará a ser de 1,44 milhão de ienes (US$ 18.900), o dos ministros chegará a 1,2 milhão de ienes (US$ 15.700) e o dos vice-ministros será reduzido a 1,15 milhão de ienes (US$ 15 mil), segundo a agência Kyodo.

Com EFE e Reuters

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