Genro de rei da Espanha é acusado de fraude e corrupção

Duque de Palma é acusado de participar de um esquema com objetivo de se apoderar de fundos públicos utilizando faturas falsas

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Iñaki Urdangarín e Cristina de Borbón, filha caçula do monarca espanhol, em foto sem data
A Justiça espanhola está investigando acusações de corrupção envolvendo o genro do rei Juan Carlos, Iñaki Urgadangarín. É a primeira vez na história do país que uma investigação policial chega ao palácio real.

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Urgadangarín, o duque de Palma, casado com Cristina de Borbón, filha caçula do monarca, é acusado pelo Departamento Anti-corrupção da polícia, de participar de um esquema com o objetivo de se "apoderar de fundos públicos, utilizando faturas falsas e infladas com orçamentos e serviços fictícios", de falsificação e lavagem de dinheiro em paraísos fiscais.

Urgadangarín é dono de uma empresa, o Instituo Nóos, consultoria que presta serviços na área de esportes para governos regionais e empresas privadas, principalmente nas regiões de Valencia e Mallorca. Entre os serviços estão assessorias para organização de eventos, patrocínios e relatórios.

A Justiça suspeita de superfaturamento em vários desses serviços prestados para grandes empresas e divulgou, como exemplo, recibos do instituto cobrando o equivalente a R$ 6,5 milhões por palestras de um dia e meio e R$ 1,2 milhão por um evento esportivo que nunca ocorreu.

Outro exemplo teria sido um relatório de dez páginas preparado pela consultoria para o clube de futebol Villareal, da primeira divisão do campeonato espanhol, por R$ 2 milhões e que, segundo o próprio clube, terias sido preparado com base em informações pescadas da internet.

A Justiça também investiga acusações de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais. Em Belize, no Caribe, foram encontrados registros de R$ 850 mil ligados à empresa.

O escândalo está provocando grande polêmica na Espanha, principalmente porque a família real não se pronunciou e o rei, segundo a imprensa, estaria "muito abatido". Urdangarín, o genro do rei, divulgou um breve comunicado afirmando que "defenderá sua honra e inocência".

Contas ilícitas

As investigações tiveram início com a descoberta de contas ilícitas de um sócio de Urdangarín, o empresário Diego Torres. Ele, que faturava menos de R$ 80 mil por ano, passou a ter rendimentos superiores a R$ 1 milhão depois de se associar com o genro do rei em 2004.

No início de novembro, a polícia deu uma batida na sede do Instituto Nóos em Barcelona, nas três empresas do holding e nas residências de Torres, e confiscou vários documentos. O empresário declarou à polícia que Urdangarín "como presidente-executivo, tomava todas as decisões".

O juiz Cândido Conde-Pompido, que comanda o caso, afirmou que "não haverá nenhum tratamento diferencial com Urdangarín". Ele disse, entretanto, que no sistema penal espanhol, há "disposições específicas que afetam ao rei e seus herdeiros, precisamente seu sucessor" - príncipe Felipe, esposa e filhas.

Ainda não se sabe se a filha do rei, Cristina, que é uma das sócias da empresa do marido, é suspeita de ter participado dos supostos crimes cometidos pelo duque de Palma. Muitos no país se queixam do que parece ser privilégio de impunidade para a família real e do silêncio do monarca.

Seleção de handebol

O duque de Palma mora atualmente em Washington, onde ocupa o cargo de presidente da Comissão de Assuntos Públicos da Telefônica - América Latina. Seus filhos com a princesa vão à mesma escola que as filhas do presidente Barack Obama.

De origem de família de classe média do País Basco, o ex-jogador da seleção espanhola de handebol, formado em administração de empresas, casou-se com a infanta Cristina em 1997. Seu patrimônio inclui uma mansão de R$ 27 milhões em Barcelona e seis apartamentos em Mallorca.

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