Em carta oficial, países árabes rejeitam decisão de Trump e pedem ação da ONU

Em mais um dia de protestos em diferentes locais, milhares de pessoas pediram para que os EUA se retratassem; líderes de países muçulmanos pedem para que ONU inclua resolução sobre ilegalidade da ação de Trump
Foto: Mohammed Salem
Discurso de Donald Trump sobre Jerusalém aumentou a tensão entre os palestinos e israelenses

Os protestos contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , sobre a Jerusalém não param. Neste domingo (10), milhares de pessoas em países árabes se dirigiram às embaixadas americanas a fim de se manifestarem contra o reconhecimento da cidade sagrada como capital de Israel. Além de cidadãos de diversos países, a Liga Árabe também se manifestou hoje em um comunicado oficial, em que rejeita a determinação do republicano.

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Ministros de Relações Exteriores de 22 países árabes expressaram rejeição à decisão de Trump com firmeza, pedindo para que o presidente republicano se retrate – e desista de mover a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. Apesar disso, não manifestaram possíveis medidas de pressão contra ao governo dos EUA.

Em reunião no Cairo, convocada de maneira extraordinária pela Jordânia, os chefes de diplomacia dos países-membros da liga consideraram “nula” tal medida e qualificaram de “violação perigosa da legislação internacional e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

Além disso, o comunicado emitido hoje pontua que os Estados Unidos se afastaram do papel de mediador nos conflitos entre palestinos e israelenses, questão bastante sensível no Oriente Médio. Assim, em 16 pontos, consideram que a “mudança política” norte-americana “representa um giro perigoso”, colocando Washington “ao lado da ocupação”.

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"O conselho solicita aos Estados Unidos que anulem sua decisão sobre Jerusalém e trabalhem com a comunidade internacional para que Israel se comprometa a aplicar as decisões internacionais e a pôr fim à ocupação ilegal e ilegítima de todos os territórios palestinos e árabes ocupados desde junho de 1967", detalha o documento.

Por fim, o manifesto do grupo árabe afirmou que irá solicitar ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que emita uma resolução em que conste que a ação realizada por Donald Trump contradiz a legislação internacional. Além disso, os ministros instaram a comunidade internacional a reconhecer o Estado palestino com Jerusalém como capital.

“Justiça internacional”

Na Indonésia, país com o maior número de muçulmanos do mundo, ao menos 10 mil pessoas se concentraram em frente à embaixada americana, na capital Jacarta, para protestar. A manifestação foi convocada por um partido político de ideologia islâmica e por parte da oposição ao atual governo. Segundo a polícia do país, as manifestações ocorrem sem incidentes violentos, mas foi preciso fechar uma dúzia de ruas da cidade.

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Com cartazes e bandeiras da Palestina em mãos, os manifestantes gritam palavras de ordem, pedindo para que Trump volte atrás em sua decisão em torno da questão israelense. Ainda é possível escutar pessoas pedindo por “justiça internacional” para o povo palestino.

No Líbano, a polícia respondeu com violência aos protestos deste domingo, também em frente à embaixada norte-americana de Beirute. Os policiais jogaram gás lacrimogêneo, enquanto a Defesa Civil usou canhões de água para dispersar os manifestantes, que por sua vez lançaram garrafas e atearam fogo em pneus e contêineres de lixo nas proximidades de Aukar.

Vale lembrar que os protestos dos países árabes acontecem depois que Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, na última quarta-feira (6), e prometeu a transferência da embaixada de seu país para esta cidade, após décadas de consenso internacional que condicionavam a decisão a um acordo de paz .

 *Com informações da Agência Brasil

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