Caso o presidente faça o discurso esperado para a tarde de hoje, os EUA se tornarão o único e país do mundo a ter sua embaixada na cidade, considerada sagrada por cristãos, muçulmanos e judeus; entenda a repercussão

Caso Trump reconheça Jerusalém como capital, os EUA serão único país a ter embaixada na cidade sagrada
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Caso Trump reconheça Jerusalém como capital, os EUA serão único país a ter embaixada na cidade sagrada

O presidente norte-americano Donald Trump deve anunciar o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel nesta quarta-feira (6), segundo informações de altos funcionários do governo republicano. Com isso, ele determinará a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv.

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Caso Donald Trump anuncie a mudança, algo previsto para a tarde de hoje, os Estados Unidos serão o único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital israelense, além de ser a única embaixada internacional na cidade. A ação é encarada como uma ‘provocação’ contra os palestinos, já que a cidade é considerada sagrada por cristãos, muçulmanos e judeus.

Porém, mesmo com a determinação do presidente para que o Departamento de Estado inicie o processo de transferência, é sabido que poderá “levar anos”. "Há cerca de mil pessoas trabalhando na embaixada em Tel Aviv, e não temos instalações que possam acomodá-las em Jerusalém. Levará tempo para encontrar um lugar, se certificar de que é seguro, projetar uma nova embaixada e construí-la", completou.

De acordo com a mesma fonte interna, o republicano deve fazer um discurso às 13h locais (16h em Brasília), anunciando que “as fronteiras específicas da soberania israelense estarão sujeitas a negociações de status final” com os palestinos. Ele também deve apoiar o “status quo no Monte do Templo”, que está na parte palestina da cidade.

A mudança e suas consequências

De acordo com as fontes internas, a Casa Branca considera a decisão sobre Israel como um “reconhecimento de uma realidade histórica”, uma vez que Jerusalém oi a capital do Estado judeu desde a antiguidade, além de ser a sede go governo israelense desde a fundação moderna, em 1948. Para a base aliada, este é o momento certo para realizar a mudança, “especialmente no que diz respeito à esperança de conseguir um acordo de paz”.

Para o governo norte-americano, a localização física da embaixada não seria um empecilho às conquistas de paz. Segundo a fonte anônima, o que Trump anunciará é “uma mudança para uma política de ambiguidade (sobre onde a embaixada dos EUA deveria ser), que não funcionou nos últimos 22 anos”.

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Isso porque o Congresso do país aprovou, em 1995, uma lei para iniciar a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Até hoje, nenhum presidente implementou a mudança. Desse modo, por causa do longo tempo para a mudança, Trump deve assinar, também nesta quarta, uma ordem que lhe permita adiar por mais seis meses a aplicação dessa lei de 1995.

Contudo, os palestinos já sinalizaram que a medida pode gerar “graves repercussões”, estancando as negociações de paz na região. De acordo com especialistas entrevistadas pela rede de TV americana “CNN”, a ação tem bastante potencial para consequências negativas no Oriente Médio , podendo causar mais violência contra americanos e dificuldades aos interesses do país na região.

Além disso, alguns líderes internacionais já reagiram de forma negativa. Na Arábia Saudita, foi anunciado que a decisão "unilateral" é uma "provocação a todos os países muçulmanos". O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, chegou a ameaçar romper suas relações com Israel, caso os Estados Unidos mudem sua embaixada. Entre outras manifestações contrárias, esperam-se reações bastante complicadas em todo o Oriente Médio.

Vários protestos já são realizados na região, com a queima de bandeiras americanas e israelenses. 

Histórico

Quando da anexação israelense na parte oriental de Jerusalém, em 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou a retirada de todas as legações internacionais da Cidade Santa.

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Assim, embora Israel considere Jerusalém como a capital, a soberania do país sobre a parte oriental da cidade (Jerusalém Oriental) não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional, e os palestinos querem estabelecer a sede do futuro estado.

 *Com informações da Agência Brasil e CNN 

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