Os ataques ocorreram em um intervalo de 1h na noite desta quinta-feira; a polícia ainda busca outro homem suspeito pelos crimes na zona norte

Homem de 32 anos é uma das vítimas dos ataques com ácido na noite de ontem, em Hackney
Reprodução/Twitter
Homem de 32 anos é uma das vítimas dos ataques com ácido na noite de ontem, em Hackney

Um jovem de 16 anos foi detido pela Polícia Metropolitana de Londres , que abriu uma investigação sobre uma série de ataques com ácido em diferentes lugares da cidade na noite desta terça-feira (13), em um período de 90 minutos.

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Todas as vítimas tiveram ferimentos graves e estão sendo tratadas em hospitais. De acordo com a polícia, houve cinco ataques com ácido na noite de ontem – e que, provavelmente, estão relacionados. Dois homens são suspeitos de terem agido de forma criminosa, assaltando e atacando de forma aleatória, sendo o adolescente preso um deles e o outro ainda é procurado.

Ainda segundo a polícia, os ataques atingiram cinco pessoas que tiveram o corpo ferido com um líquido corrosivo entre 22h25 e 23h37 da quinta-feira. A primeira vítima foi um homem de 32 anos que foi cercado pelos dois suspeitos enquanto estava na Rua Hackney com a Queensbrigde, na zona norte da cidade. Antes de partirem, atiraram o líquido no rosto dele.

Os ataques aconteceram de 20 em 20 minutos, aproximadamente, tempo suficiente para a mudança de local. A última ocorrência foi às 23h37 na rua Chatsworth.

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Uma testemunha do ataque ocorrido na Rua Hackney afirmou ao “The Guardian” que viu a polícia socorrendo a vítima com água. Sarah Cobbold, de 29 anos, disse que saiu para a varanda de sua casa depois de ver luzes piscando em seu apartamento. Ela disse à agência de notícias AP que “a vítima estava literalmente parada na minha porta”.

“Às 22h30, havia alguns carros de polícia e uma ambulância. A polícia havia fechado uma pequena área ao redor da calçada e havia um cara de pé na minha porta, e eles estavam derramando enormes garrafas de água de cinco litros sobre sua cabeça”, contou.

Ainda segundo Cobbold, a vítima parecia “OK” depois de alguns minutos do socorro e conseguiu ir caminhando até a ambulância, que o levou para o hospital.

Entregadores de comida foram heróis

Nem ambulância nem polícia. As primeiras pessoas que chegaram às cenas dos ataques na noite desta quinta foram entregadores de comida. Pelo menos 25 UberEats e Deliveroo decidiram “entrar em ação” depois que um homem foi atacado na zona norte.

Sarah Cobbold disse que os motoristas ficaram sabendo sobre o incidente e, assim, saíram correndo para ajudar. Um porta-voz do UberEats afirmou que “ficaram chocados em ouvir sobre os ataques horríveis da noite passada”. Assim, os motoristas que trabalham na área atingida fizeram tudo o que puderam a fim de ajudar. “Ainda estamos tentando obter informações [na vizinhança] que possam ajudar a polícia”, afirmou.

Crimes crescentes

A comissária da Polícia Metropolitana de Londres, Cressilda Dick, condenou os ataques desta quinta-feira, e afirmou que a cidade tem registrado um número crescente deste tipo de crime nos últimos anos.

Neste mês de julho, foram realizados pedidos de restrições à venda de ácido e outras "substâncias nocivas" depois que os dados oficiais revelaram que o número dos ataques mais do que duplicou nos últimos três anos.

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A petição pública contra a venda destes químicos na cidade já conta com quase 50 mil assinaturas. Houve uma comoção popular sobre o assunto depois que Resham Khan e seu primo Jameel Muhktar foram atingidos enquanto andavam pela zona leste de Londres no dia 21 de junho.

Dick afirmou que a polícia e a Prefeitura estão examinando as possíveis restrições, ainda confirmando que “comprar substâncias corrosivas no país é muito mais fácil do que você ou eu podemos imaginar que seja”. A comissária da polícia ainda indaga qual a necessidade de uma pessoa comum, por exemplo, ter acesso e comprar ácido sulfúrico.

Em 2016, Londres contou com 455 ataques com ácido. Um quarto deles foram utilizados durante assaltos.

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