A partir de cartas e pesquisas em arquivos, Sarah Wildman reconstituiu história de vida da namorada que seu avô deixou para trás durante a II Guerra Mundial, entre 1939 e 1945

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Quando Sarah Wildman era criança, adorava ouvir histórias sobre como seu avô escapou dos nazistas e reconstruiu sua vida nos Estados Unidos. Mas, já adulta, descobriu que a história não foi tão simples.

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Seu avô deixou para trás o amor de sua vida na juventude - uma médica judia que teve que encontrar uma forma de sobreviver em Berlim durante o nazismo e que escrevia cartas cada vez mais desesperadas para seu amor nos EUA.

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Sarah chegou à história através de uma foto de seu falecido avô ainda jovem posando com uma mulher desconhecida. "Perguntei à minha avó quem era a garota na foto. Ela respondeu: era o verdadeiro amor dele. E saiu do quarto", conta Sarah.

Em seu novo livro, Paper Love, Sarah tenta descobrir quem era essa mulher - e o que aconteceu com ela.

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Sarah encontrou uma caixa dizendo "cartas de pacientes". Mas, dentro, não havia cartas profissionais, e sim centenas de correspondências de sua vida em Viena e dúzias de cartas da namorada.

Sarah pesquisou em arquivos para reconstituir a vida da mulher e os momentos em que a vida dela se cruzou com a de seu avô.

Valy - Valerie Scheftel - havia saído da Tchecoslováquia e terminado sua graduação em medicina em Viena. Ela foi uma das últimas pessoas judias a receber o diploma da Escola de Medicina da Universidade de Viena: quatro dias depois, houve o Anschluss (anexação da Áustria) e todos os judeus foram expulsos.

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Sarah descobriu fotos dos dois posando em frente a um espelho e de Valy em um local que ela acredita ser uma floresta nas redondezas da capital austría. Nas cartas, ela pergunta se o avô lembra das árvores neste local.

Na virada do ano de 1939 para 1940, Valy não podia mais comprar roupas; em 1941, ela não podia mais revender seus sapatos e, em 1942 ou no inverno de 41, ela não podia mais comprar nenhuma roupa quente.

Nas cartas, Valy descreve as músicas que eles costumavam cantar juntos e diz que, ao cantá-las, se lembra dele.

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"Acho que se trata de uma lembrança da liberdade. Eu acho que ela o amava, mas também era um jeito de não passar por esse horror que ocorria, mesmo antes dos campos de concentração. Ser completamente retirado de sua sociedade", conta Sarah.

Sarah conta que, quando era criança, acredita que seu avô havia fugido de forma relativamente tranquila. Ele levou sua mãe, irmã, cunhado, sobrinho, mas deixou para trás amigos de escola, meio-irmãos e sua namorada, por quem tinha estado apaixonado durante quase toda a década de 1930.

"Conseguir escapar, para ele, não foi necessariamente algo feliz. E nem foi necessariamente o fim de um história", afirma ela.

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