Benjamin Netanyahu também comparou sua ofensiva em Gaza com o bombardeio liderado pelos EUA contra o grupo sunita

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu comparou seu recente bombardeio na Faixa de Gaza com a ação liderada pelos EUA contra militantes na Síria e Iraque, dizendo que o Hamas e o Estado Islâmico compartilham o mesmo objetivo de dominar o mundo.

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Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, mostra imagem de um suposto lançador de foguetes do Hamas cercado por crianças na cúpula da ONU em NY
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Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, mostra imagem de um suposto lançador de foguetes do Hamas cercado por crianças na cúpula da ONU em NY


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Dirigindo-se à Assembleia Geral da ONU nesta segunda-feira (29), Netanyahu acusou o Hamas de cometer "crimes de guerra de verdade" em Gaza usando civis palestinos como escudos humanos.

A afirmação foi uma resposta irritada ao discurso do líder palestino Mahmoud Abbas na última semana da ONU, que acusou Israel de conduzir uma "guerra de genocídio" em Gaza.

Netanyahu protestou contra os líderes mundiais que condenaram Israel por sua guerra contra o Hamas e elogiaram o presidente Barack Obama por atacar militantes do Estado Islâmico e outros extremistas na Síria e no Iraque.

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Eles "evidentemente não entendem que o EI e o Hamas são ramos da mesma árvore venenosa", disse o primeiro-ministro israelense, referindo-se ao grupo Estado Islâmico por um dos seus acrônimos. Netanyahu disse que os líderes do Hamas e do grupo sunita compartilham o mesmo objetivo de impor o islamismo militante no mundo.

"O objetivo imediato do Hamas é destruir Israel, mas eles têm um objetivo mais amplo", disse ele. "Quando se trata de seus objetivos finais, o Hamas é o EI, e o EI é o Hamas."

E voltando-se para um outro rival regional, Netanyahu disse que a preocupação do Irã sobre a propagação do terrorismo é "uma das maiores demonstrações de contradição da história."

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Ele criticou os esforços das seis potências mundiais para chegar a um acordo nuclear com o Irã, dizendo que "para derrotar o EI e deixar o Irã como um potencial de energia nuclear é ganhar a batalha e perder a guerra."

Na última guerra em Gaza, Netanyahu questionou como Israel pode ser acusado de genocídio quando deu aviso prévio para os civis de Gaza antes dos ataques aos bairros. Segurando a imagem do que ele disse ser um lançador de foguetes do Hamas com crianças por perto, ele disse que o Hamas escondeu foguetes em escolas e residências, usando civis ​​como escudos humanos.

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Israel "estava fazendo de tudo para minimizar as baixas civis. Hamas estava fazendo de tudo para maximizar as baixas civis", disse ele. Durante a guerra de Gaza de 50 dias, que terminou em 26 de agosto, Israel lançou ataques aéreos contra milhares do que seriam alvos ligadas ao Hamas no território costeiro densamente povoado, enquanto militantes de Gaza dispararam vários milhares de foguetes contra Israel.

Mais de 2.100 palestinos foram mortos, a grande maioria civis, e cerca de 18 mil casas foram destruídas, de acordo com dados da ONU; 66 soldados e seis civis foram mortos do lado israelense.

Em seu discurso na sexta-feira, Abbas chegou a dizer que iria perseguir acusações de crimes de guerra contra Israel. Ele disse que iria pedir ao Conselho de Segurança da ONU para ditar as regras do jogo para quaisquer negociações com Israel, incluindo o estabelecimento de um prazo para a retirada israelense de terras palestinas.

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No início desta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse que é claro que Abbas não tem intenção de fazer um acordo de paz com Israel, chamando seu discurso aos líderes mundiais na semana passada de "uma mensagem de ódio e incitamento". Lieberman disse ainda que Abbas "perdeu o seu caminho."

Mohammed Ishtayeh, um assessor de Abbas, respondeu aos comentários de Lieberman, dizendo: "Se Lieberman e seu governo procuram a paz, que construam assentamentos na nossa terra. Eles deixaram palestinos sem terra, sem assentamentos, sem nenhum local para se viver."

Ishtayeh acrescentou: "Lieberman estava tentando cobrir os crimes de guerra cometidos em seu governo em Gaza, mas nós preparamos a lista de acusações para levar Israel ao TPI", usando o acrônimo para o Tribunal Penal Internacional. 

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A Organização da Cooperação Islâmica, que tem 57 países e é o maior bloco do mundo de países islâmicos, vem pressionando Abbas para buscar a adesão de agências internacionais.

Isso abriria a porta para acusações de crimes de guerra contra Israel por suas ações militares na Faixa de Gaza e para a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia, terra que os palestinos querem para um futuro Estado.

No entanto, Abbas não mencionou o assunto em seu discurso na semana passada e nem fez nenhuma menção de uma oferta para se juntar ao Tribunal Penal Internacional ou um prazo para o fim da ocupação.

*Com AP

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